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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Corpo e terapia

Muitos pacientes chegam aos consultórios psicológicos encaminhados por seus médicos. As queixas são muitas: dores inexplicáveis, dores crônicas, doenças crônicas, etc. Isso acontece porque o ser humano é um ser integral, ou seja, sua vivência psicológica não está separada de sua vivência física. O ser humano só existe porque existe primeiramente como uma realidade física: é através do corpo que está presente e que é reconhecido pelos outros. Desta forma, a terapia é encaminhada, quando as queixas do cliente são principalmente físicas, no sentido de compreender a função da doença na vida daquela pessoa. Além disso, age também para identificar e reconhecer a responsabilidade individual no modo como a doença se dá tendo em vista que o corpo (local onde a doença se dá) é sempre o primeiro ambiente do paciente, é onde a pessoa primeiramente experimenta o mundo, as próprias emoções e o próprio sentido de “Eu”. Assim, compreender que posturas e questões físicas são, ao mesmo tempo, posturas e questões psicológicas leva a uma vida de maior realização porque considera a responsabilidade individual pela criação da própria vivência corporal.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

domingo, 13 de dezembro de 2009

“Alguns recusam o empréstimo da vida para evitar o débito da morte”

O medo do fracasso e da perda faz parte da vida de todas as pessoas. Contudo, encontramos aquelas que, apesar do medo que sentem, continuam a experimentar a vida, a escolher, decidir e arriscar. Por outro lado, muitas vezes encontramos pessoas que, em uma tentativa de se proteger, evitam arriscar-se ou experimentar os mais diversos tipos de situações que poderiam trazer prazer e significado à vida. Em geral, o medo paralisante leva em conta um projeto de vida que tem como base a necessidade de “dar certo”. Este “dar certo” são obrigações e cobranças sobre o desenvolvimento de uma situação de vida. Contudo, a vida continua sendo imprevisível. E assim, cada vez mais vemos pessoas frustradas com sua realidade e incapazes de se lançar a situações novas e a fazer escolhas diferentes. É como se não valesse a pena ver o nascer do sol, somente porque mais tarde ele vai ser pôr de qualquer forma, ou não valer a pena casar com alguém porque pode haver uma separação e, até que por fim, não valer viver porque se vai morrer mesmo um dia. Projetos de vida deste tipo levam em conta resultados e desconsideram completamente a experiência. Porque o sabor da vida não está em atingir uma meta específica, mas sim em experimentar o processo que ela envolve. Vidas significativas são sempre vidas vividas.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com



Pais e filhos no consultório

Orientar e educar não são tarefas fáceis para muitos dos pais que chegam aos consultórios. Isto porque a educação que se dá é muitas vezes um reflexo dos modelos de educação que se recebeu dos pais, avós, escolas ou outras instituições durante a vida. Contudo, nem sempre este repertório de comportamentos adquiridos pelos pais durante suas vidas é suficiente para suprir necessidades e novos desafios que a educação dos filhos propõe. Assim, muitos pais levam os filhos ao psicólogo, em uma tentativa de ajudar a criança ou jovem a lidar com seus problemas e, também, como um modo de aliviar o próprio sofrimento como pais. Neste sentido, o trabalho da terapia leva em conta que a criança ou jovem faz parte de um ambiente familiar e que este ambiente composto pelos pais, irmãos, avós, escola, etc. determina grande parte de seus comportamentos. Assim, o processo da terapia vai envolver, geralmente, um trabalho junto à criança/jovem e também um trabalho junto aos pais afim de treiná-los e fornecer técnicas mais adaptadas para lidar com os desafios que surgem em relação aos filhos. Trabalhar em conjunto se faz necessário para que a família cresça também em conjunto.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Prevenção na adolescência: corpo e decisão


Dois pontos são de fundamental importância durante a adolescência: o corpo e suas mudanças e a capacidade de tomar as próprias decisões. A questão do corpo na adolescência é de suma importância quando se pensa em prevenção de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) porque é partir do corpo que o adolescente se percebe crescendo e mudando. As mudanças psicológicas típicas desta fase, tal como a necessidade de maior independência e da necessidade de sentir-se parte e aceito por um grupo, apóiam-se nas mudanças físicas. Nesta fase há a descoberta do corpo que se torna adulto e o interesse pela descoberta do próprio corpo e do corpo do outro é inevitável. Grande parte da adolescência é gasta em tornar o próprio corpo desejável, ou seja, é quando começamos a nos preocupar com os aspectos do nosso corpo sexualmente importante para os outros. Descobrir-se desejável equivale a sentir-se parte do mundo e a ter, no futuro que pela primeira vez se abre, a descoberta de não passar a vida sozinho ( no sentido de desfrutar da intimidade que só uma relação conjugal pode oferecer). Esta necessidade de, sobretudo, aceitar a si próprio em suas qualidades e defeitos e aceitar, com isso, que ás vezes o outro pode nos aceitar ou rejeitar é o centro da decisão de prevenir-se sexualmente. Agir impulsivamente está em total acordo com as mudanças da adolescência, mas ao mostrar e esclarecer ao adolescente suas próprias questões, ajudando-o a reconhecer-se damos a oportunidade da decisão consciente. É importante destacar que a necessidade de ser capaz de tomar as próprias decisões é fundamental nesta fase e que valorizar esta capacidade pode tornar o aolescente mais receptivo às informações e, também, mais capaz de decidir prevenir-se, pois este deve sentir que a decisão é dele e não algo que lhe foi imposto. Reconhecer a importância do corpo e da independência do adolescente em relação a ele é a chave para começar um trabalho preventivo, seja em maior escala ou mesmo com os próprios filhos.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com
Auto-engano

Durante o processo de desenvolvimento aprendemos a evitar situações dolorosas e valorizar as situações prazerosas. Neste sentido evitamos colocar o dedo na tomada, choramos ao cair, nos comportamos para receber um doce ou o carinho de alguém que se ama. Contudo, como parte deste aprendizado e também como parte dos mecanismos de defesa desenvolvidos ao longo da evolução humana tendemos a evitar além da dor física a “dor psicológica”. Assim, evitar situações emocionais desagradáveis ou dolorosas faz parte do humano. Um destes mecanismos de defesa é o auto-engano: a pessoa é incapaz de se responsabilizar por seus atos, de reconhecer o papel que desempenha nos fatos que lhe acontecem e costuma colocar a culpa de acontecimentos desagradáveis sempre no outro ou no azar. Deste modo ela evita lidar com seus medos, insatisfações e falhas pessoais que podem ser muito difíceis de reconhecer e podem representar sofrimento psicológico. Durante o trabalho de terapia o indivíduo é levado a compreender o lugar que ocupa em sua vida e o modo pelo qual produz o mundo a sua volta. Assim, apesar do auto-engano ajudar na preservação da identidade do indivíduo, quando passa a prejudicar sua autonomia torna-se danoso. Estar disposto e se autorizar a analisar-se é fundamental para assumir as rédeas da própria vida de modo fortalecido.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com
Situações inacabadas

Durante o processo de terapia, quando a pessoa passa a rever suas emoções, sentimentos e reações perante o mundo que a cerca, em geral se depara com as situações inacabadas. Situações inacabadas são conflitos que permanecem ao longo do tempo sem serem elaborados e, portanto, estão sempre sendo revistos e surgindo nas mais diversas situações de vida do indivíduo. Uma situação pendente pode ser a necessidade constante de aprovação, por exemplo, ou a dificuldade em se despedir dos pais já falecidos. Em geral a necessidade que gerou a situação retorna inúmeras vezes à consciência em uma tentativa de ser resolvida. Quando falamos em resolver uma situação inacabada estamos falando em elaborar emocionalmente acontecimentos e necessidades internas. Quando um conflito pode encontrar seu desfecho, a experiência enriquece o indivíduo e o libera para experimentar novas situações e, desta forma, viver de modo mais pleno o presente. Contudo, quando as situações não são fechadas, permanecem cristalizando e reforçando atitudes de distanciamento da realidade (em geral lançam a pessoa para o passado ou o futuro) e impedem o contato total com o mundo e consigo mesmo. Durante o processo terapêutico o terapeuta vai ajudando o cliente a reconhecer suas situações inacabadas e oferece um campo seguro para que a pessoa possa tenha coragem (existencial) de libertar-se das amarras que construiu para si-própria.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O papel do auto-conhecimento na terapia

O principal ponto desenvolvido na psicoterapia é o auto-conhecimento. É através deste processo que o indivíduo pode adquirir cada vez mais consciência de si mesmo e, consequentemente, realizar escolhas autênticas e em sintonia com o seu projeto de vida. O auto-conhecimento é o processo de identificar, reconhecer e alterar padrões de comportamento que estavam de alguma forma inconscientes ou encobertos. Em geral, a função do terapeuta é remover (junto com o cliente) os obstáculos que estejam barrando o desenvolvimento do indivíduo. Este processo implica identificar o modo como a pessoa age e reage ao ambiente a sua volta. Também é necessário reconhecer as partes rejeitadas de si-mesmo e como elas aparecem nas relações que se mantém com os outros e consigo mesmo. O auto-conhecimento é um processo contínuo e sempre presente de aprendizado sobre a vida e os relacionamentos: na terapia este processo é amplificado de modo a levar o indivíduo a uma vida mais autêntica, satisfatória e feliz.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com



Adolescentes e a mudança consciente do corpo

A insatisfação com o próprio corpo e imagem tem levado centenas de mulheres, e homens, a realizar cirurgias plásticas: sejam estéticas ou corretivas. Contudo, cerca de 10% das mulheres que procuram as cirurgias são adolescentes. A adolescência é uma fase compreendida aproximadamente entre os 13-18 anos, podendo estender-se ou encurtar de acordo com variáveis sociais e culturais. O importante é considerar que esta é uma fase de grande experimentação, tanto do mundo, quanto do próprio corpo e dos relacionamentos no qual ele está envolvido. Optar por uma cirurgia plástica nesta idade pode sofrer grande influência da mídia, dos padrões de beleza e até mesmo dos pais que projetam suas expectativas de realização nos filhos. O importante ao fazer uma escolha como esta é considerar todas as possibilidades quanto à modificação do próprio corpo, ter expectativas realistas tanto em relação ao resultado como em relação às conseqüências desta alteração uma vez que muitas pessoas acreditam que todos os seus problemas serão sanados uma vez que alterarem o que as incomoda no corpo, fato que não é real. Outra necessidade é reconhecer e trabalhar as lacunas emocionais do adolescente, suas expectativas, a auto-estima e auto-aceitação. Desta forma, aliando avaliações médicas e psicológicas é possível chegar a uma escolha consciente e realista sobre o assunto.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com


Conversando sobre a morte

Uma das questões fundamentais presentes na vida de qualquer pessoa diz respeito à morte. Todos vivenciamos a morte de alguma maneira: seja a morte de um animal querido, de um parente, dos pais, do cônjuge, etc. Ter espaço para trabalhar o luto e as perdas na terapia é fundamental na vivência e superação deste processo. Contudo, na terapia é trabalhada não apenas a morte de outrem, mas muito frequentemente a própria morte. A ironia é que grande parte dos projetos de vida e das preocupações estão pautadas na perspectiva do próprio fim e na necessidade de dar sentido à própria existência (de ter uma existência significativa). Ao fornecer espaço para se falar da própria morte, do medo ou da vontade de morrer, também há espaço para pensar a própria vida e colocá-la em perspectiva: a consciência e a vivência da própria morte podem enriquecer as escolhas realizadas e ajudar a colocar em prática projetos de vida. Portanto, por mais estranho ou desagradável que possa parecer, falar sobre a morte sem preconceitos ou receios pode ser importante quando se busca uma vida com mais intensidade e mais significado.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com


A crise da meia-idade

Todos passamos por fases críticas de transformação no decorrer da vida. As mais conhecidas são a infância, a adolescência e a vida adulta. Contudo, existem momentos críticos e fundamentais também no decorrer da vida adulta tal como o envelhecimento e a chamada crise da meia-idade. A crise da meia-idade é um modo de se referir a um período de transição entre a vida adulta e a perspectiva de envelhecimento. É em geral um momento marcado pela autonomia dos filhos, a mudança na configuração do casamento (mudanças na dinâmica do relacionamento bem como separação), a percepção do envelhecimento do corpo e também a percepção, mesmo sutil, da responsabilidade pelo resultado das escolhas realizadas nos anos anteriores. Todos estes fatores levam homens e mulheres a experimentar angústia e, muitas vezes, arrependimentos por decisões tomadas anteriormente. Há também uma reavaliação dos relacionamentos com pais, cônjuge e filhos e muitas vezes a necessidade também de mudar a vida profissional. A crise da meia-idade é, apesar de todos os estereótipos, um momento de mudança e uma preparação para a outra metade da vida só que de modo muito diferente da adolescência, pois deve envolver a consciência e o conhecimento adquiridos ao longo da experiência de vida. Procurar ajuda especializada neste momento pode ajudar a avaliar prioridades e a definir com mais clareza as próximas escolhas.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Escolher: a difícil arte de ganhar e perder

Compreender o modo como funcionamos é fundamental para uma vida com mais satisfação ou, ao menos, com escolhas mais conscientes que levam a menos ressentimento e arrependimento. Desenvolver a capacidade de ver a própria trajetória se transformando de acordo com as escolhas feitas é assumir responsabilidade pela própria vida. Uma das realidades da condição humana é o fato de que somos obrigados a escolher o tempo todo: a roupa que se vai vestir, o que comer, os amigos que se quer ter, o programa da tv, a profissão, o cônjuge, etc. Selecionar e decidir pode ser angustiante e até frustrante, mas são ações fundamentais e necessárias. Como dizia Sartre “O Homem está condenado a ser livre”. Condenado porque a única escolha que não pode fazer é escolher “não-escolher”. A condição humana é uma contínua abertura ao mundo e exige do homem a ação da escolha o tempo todo: seja de modo consciente ou não. Ninguém pode fugir do ato de decidir: e escolher é optar em ganhar de um lado e em perder todas as outras possibilidades e por conta disso é sempre uma questão fundamental da existência de cada um. Escolher envolve sempre a afirmação de quem sou e de quem quero ser, mas também o luto pela perda de quem eu poderia ter sido.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com



A crise da meia-idade

Todos passamos por fases críticas de transformação no decorrer da vida. As mais conhecidas são a infância, a adolescência e a vida adulta. Contudo, existem momentos críticos e fundamentais também no decorrer da vida adulta tal como o envelhecimento e a chamada crise da meia-idade. A crise da meia-idade é um modo de se referir a um período de transição entre a vida adulta e a perspectiva de envelhecimento. É em geral um momento marcado pela autonomia dos filhos, a mudança na configuração do casamento (mudanças na dinâmica do relacionamento bem como separação), a percepção do envelhecimento do corpo e também a percepção, mesmo sutil, da responsabilidade pelo resultado das escolhas realizadas nos anos anteriores. Todos estes fatores levam homens e mulheres a experimentar angústia e, muitas vezes, arrependimentos por decisões tomadas anteriormente. Há também uma reavaliação dos relacionamentos com pais, cônjuge e filhos e muitas vezes a necessidade também de mudar a vida profissional. A crise da meia-idade é, apesar de todos os estereótipos, um momento de mudança e uma preparação para a outra metade da vida só que de modo muito diferente da adolescência, pois deve envolver a consciência e o conhecimento adquiridos ao longo da experiência de vida. Procurar ajuda especializada neste momento pode ajudar a avaliar prioridades e a definir com mais clareza as próximas escolhas.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com