quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Educar pais para educar filhos

Educar e estabelecer limites para os filhos nem sempre é tarefa fácil: muitos pais precisam lidar com suas próprias dificuldades e sentimentos antes de estabelecer uma rotina satisfatória. Quando a criança está em terapia é importante que os pais participem e façam acompanhamento periódico, pois eles são parte do ambiente da criança e influem diretamente sobre seu comportamento. Um dos focos no trabalho com os pais é ajudá-los a administrar seus sentimentos de maneira lógica ao criar seus filhos, identificando modelos, resistências e oferecendo também técnicas que possam ser aplicadas a situações específicas. Neste sentido, o primeiro passo na educação de pais consiste em ajudá-los a estabelecer conseqüências para os comportamentos dos filhos antes que os problemas surjam e ajudá-los a aplicar o que foi estabelecido. Para tanto é preciso que os pais coloquem seus sentimentos em suspensão por um período e estejam dispostos a aplicar a consequência predeterminada de modo que ela traga aprendizado tanto para os filhos quanto para os pais. Outro ponto a ser considerado é compreender a mensagem positiva que os filhos possam estar enviando com um determinado comportamento; por exemplo ele está tentando lhe dizer “eu preciso me sentir independente”, “eu preciso me sentir forte” ou “eu preciso conhecer os limites de suas regras”? Auxiliar pais na educação é mais do que prescrever atitudes: é ajudá-los a compreender os filhos de modo profundo e, sobretudo, aceitar seu papel de forma consciente e mais satisfatória.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668

 
 
Psicoterapia versus Amizade

Uma questão que sempre chega aos psicólogos, seja em seus consultórios ou na vida cotidiana, é a freqüente pergunta sobre a diferença entre uma boa amizade e a psicoterapia. Embora exista certo grau de similaridade nestas relações, elas são muito diferentes entre si. Em primeiro lugar, o psicólogo se vale de princípios científicos e comprovados da Psicologia para direcionar sua atuação e compreender os fenômenos trazidos pelo cliente. A amizade entre terapeuta e cliente é uma pré-condição para a terapia mas não é, entretanto, suficiente. A psicoterapia não substitui a vida: é antes um ensaio geral para a vida. A relação estabelecida entre terapeuta e cliente serve como modelo e exemplo do modo como o cliente estabelece seus relacionamentos com os outros e com o mundo. As mudanças obtidas na terapia precisam, além disso, ser generalizadas para outros relacionamentos e ambientes da vida do cliente. Sobretudo, embora a psicoterapia exija um relacionamento íntimo , o relacionamento não é um fim: é um meio para um fim.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668

 
 
Conhecendo a ‘ansiedade’

A palavra ‘ansiedade’ deriva do latim angere, que significa opressão, constrição. Embora a ansiedade seja utilizada muitas vezes como sinônimo de estresse, este é melhor compreendido como uma sintoma desse fenômeno mais complexo. A ansiedade pode apresentar-se como sintomas psicológicos tais como agitação, preocupação e vontade de chorar e físicos tais como palpitações, náuseas, transpiração excessiva, entre outros. Uma característica sempre presente na ansiedade é a sensação de estar de fato oprimido pela impossibilidade de certeza sobre o futuro: desta forma o futuro é sempre uma ameaça de destruição do indivíduo, que precisa estar sempre alerta para o inesperado (e este inesperado é geralmente visto de forma negativa, com pessimismo). Existem dois tipos de ansiedade: a normal ou positiva e a patológica ou negativa. A ansiedade positiva é um estado de alerta justificado por uma circunstância. Neste sentido cumpre a função de colocar o indivíduo em marcha. Por outro lado a ansiedade negativa é uma tensão psíquica e fisiológica que persiste inclusive depois da situação que a causou ter passado, ou aparece independentemente de uma situação causal clara. Para tratar a ansiedade patológica em geral são utilizados medicação e psicoterapia, para que a pessoa possa averiguar as causas de sua ansiedade e modos de utilizá-la a seu proveito.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdalto@hotmail.com