quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Corpo e terapia

Muitos pacientes chegam aos consultórios psicológicos encaminhados por seus médicos. As queixas são muitas: dores inexplicáveis, dores crônicas, doenças crônicas, etc. Isso acontece porque o ser humano é um ser integral, ou seja, sua vivência psicológica não está separada de sua vivência física. O ser humano só existe porque existe primeiramente como uma realidade física: é através do corpo que está presente e que é reconhecido pelos outros. Desta forma, a terapia é encaminhada, quando as queixas do cliente são principalmente físicas, no sentido de compreender a função da doença na vida daquela pessoa. Além disso, age também para identificar e reconhecer a responsabilidade individual no modo como a doença se dá tendo em vista que o corpo (local onde a doença se dá) é sempre o primeiro ambiente do paciente, é onde a pessoa primeiramente experimenta o mundo, as próprias emoções e o próprio sentido de “Eu”. Assim, compreender que posturas e questões físicas são, ao mesmo tempo, posturas e questões psicológicas leva a uma vida de maior realização porque considera a responsabilidade individual pela criação da própria vivência corporal.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

domingo, 13 de dezembro de 2009

“Alguns recusam o empréstimo da vida para evitar o débito da morte”

O medo do fracasso e da perda faz parte da vida de todas as pessoas. Contudo, encontramos aquelas que, apesar do medo que sentem, continuam a experimentar a vida, a escolher, decidir e arriscar. Por outro lado, muitas vezes encontramos pessoas que, em uma tentativa de se proteger, evitam arriscar-se ou experimentar os mais diversos tipos de situações que poderiam trazer prazer e significado à vida. Em geral, o medo paralisante leva em conta um projeto de vida que tem como base a necessidade de “dar certo”. Este “dar certo” são obrigações e cobranças sobre o desenvolvimento de uma situação de vida. Contudo, a vida continua sendo imprevisível. E assim, cada vez mais vemos pessoas frustradas com sua realidade e incapazes de se lançar a situações novas e a fazer escolhas diferentes. É como se não valesse a pena ver o nascer do sol, somente porque mais tarde ele vai ser pôr de qualquer forma, ou não valer a pena casar com alguém porque pode haver uma separação e, até que por fim, não valer viver porque se vai morrer mesmo um dia. Projetos de vida deste tipo levam em conta resultados e desconsideram completamente a experiência. Porque o sabor da vida não está em atingir uma meta específica, mas sim em experimentar o processo que ela envolve. Vidas significativas são sempre vidas vividas.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com



Pais e filhos no consultório

Orientar e educar não são tarefas fáceis para muitos dos pais que chegam aos consultórios. Isto porque a educação que se dá é muitas vezes um reflexo dos modelos de educação que se recebeu dos pais, avós, escolas ou outras instituições durante a vida. Contudo, nem sempre este repertório de comportamentos adquiridos pelos pais durante suas vidas é suficiente para suprir necessidades e novos desafios que a educação dos filhos propõe. Assim, muitos pais levam os filhos ao psicólogo, em uma tentativa de ajudar a criança ou jovem a lidar com seus problemas e, também, como um modo de aliviar o próprio sofrimento como pais. Neste sentido, o trabalho da terapia leva em conta que a criança ou jovem faz parte de um ambiente familiar e que este ambiente composto pelos pais, irmãos, avós, escola, etc. determina grande parte de seus comportamentos. Assim, o processo da terapia vai envolver, geralmente, um trabalho junto à criança/jovem e também um trabalho junto aos pais afim de treiná-los e fornecer técnicas mais adaptadas para lidar com os desafios que surgem em relação aos filhos. Trabalhar em conjunto se faz necessário para que a família cresça também em conjunto.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Prevenção na adolescência: corpo e decisão


Dois pontos são de fundamental importância durante a adolescência: o corpo e suas mudanças e a capacidade de tomar as próprias decisões. A questão do corpo na adolescência é de suma importância quando se pensa em prevenção de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) porque é partir do corpo que o adolescente se percebe crescendo e mudando. As mudanças psicológicas típicas desta fase, tal como a necessidade de maior independência e da necessidade de sentir-se parte e aceito por um grupo, apóiam-se nas mudanças físicas. Nesta fase há a descoberta do corpo que se torna adulto e o interesse pela descoberta do próprio corpo e do corpo do outro é inevitável. Grande parte da adolescência é gasta em tornar o próprio corpo desejável, ou seja, é quando começamos a nos preocupar com os aspectos do nosso corpo sexualmente importante para os outros. Descobrir-se desejável equivale a sentir-se parte do mundo e a ter, no futuro que pela primeira vez se abre, a descoberta de não passar a vida sozinho ( no sentido de desfrutar da intimidade que só uma relação conjugal pode oferecer). Esta necessidade de, sobretudo, aceitar a si próprio em suas qualidades e defeitos e aceitar, com isso, que ás vezes o outro pode nos aceitar ou rejeitar é o centro da decisão de prevenir-se sexualmente. Agir impulsivamente está em total acordo com as mudanças da adolescência, mas ao mostrar e esclarecer ao adolescente suas próprias questões, ajudando-o a reconhecer-se damos a oportunidade da decisão consciente. É importante destacar que a necessidade de ser capaz de tomar as próprias decisões é fundamental nesta fase e que valorizar esta capacidade pode tornar o aolescente mais receptivo às informações e, também, mais capaz de decidir prevenir-se, pois este deve sentir que a decisão é dele e não algo que lhe foi imposto. Reconhecer a importância do corpo e da independência do adolescente em relação a ele é a chave para começar um trabalho preventivo, seja em maior escala ou mesmo com os próprios filhos.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com
Auto-engano

Durante o processo de desenvolvimento aprendemos a evitar situações dolorosas e valorizar as situações prazerosas. Neste sentido evitamos colocar o dedo na tomada, choramos ao cair, nos comportamos para receber um doce ou o carinho de alguém que se ama. Contudo, como parte deste aprendizado e também como parte dos mecanismos de defesa desenvolvidos ao longo da evolução humana tendemos a evitar além da dor física a “dor psicológica”. Assim, evitar situações emocionais desagradáveis ou dolorosas faz parte do humano. Um destes mecanismos de defesa é o auto-engano: a pessoa é incapaz de se responsabilizar por seus atos, de reconhecer o papel que desempenha nos fatos que lhe acontecem e costuma colocar a culpa de acontecimentos desagradáveis sempre no outro ou no azar. Deste modo ela evita lidar com seus medos, insatisfações e falhas pessoais que podem ser muito difíceis de reconhecer e podem representar sofrimento psicológico. Durante o trabalho de terapia o indivíduo é levado a compreender o lugar que ocupa em sua vida e o modo pelo qual produz o mundo a sua volta. Assim, apesar do auto-engano ajudar na preservação da identidade do indivíduo, quando passa a prejudicar sua autonomia torna-se danoso. Estar disposto e se autorizar a analisar-se é fundamental para assumir as rédeas da própria vida de modo fortalecido.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com
Situações inacabadas

Durante o processo de terapia, quando a pessoa passa a rever suas emoções, sentimentos e reações perante o mundo que a cerca, em geral se depara com as situações inacabadas. Situações inacabadas são conflitos que permanecem ao longo do tempo sem serem elaborados e, portanto, estão sempre sendo revistos e surgindo nas mais diversas situações de vida do indivíduo. Uma situação pendente pode ser a necessidade constante de aprovação, por exemplo, ou a dificuldade em se despedir dos pais já falecidos. Em geral a necessidade que gerou a situação retorna inúmeras vezes à consciência em uma tentativa de ser resolvida. Quando falamos em resolver uma situação inacabada estamos falando em elaborar emocionalmente acontecimentos e necessidades internas. Quando um conflito pode encontrar seu desfecho, a experiência enriquece o indivíduo e o libera para experimentar novas situações e, desta forma, viver de modo mais pleno o presente. Contudo, quando as situações não são fechadas, permanecem cristalizando e reforçando atitudes de distanciamento da realidade (em geral lançam a pessoa para o passado ou o futuro) e impedem o contato total com o mundo e consigo mesmo. Durante o processo terapêutico o terapeuta vai ajudando o cliente a reconhecer suas situações inacabadas e oferece um campo seguro para que a pessoa possa tenha coragem (existencial) de libertar-se das amarras que construiu para si-própria.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O papel do auto-conhecimento na terapia

O principal ponto desenvolvido na psicoterapia é o auto-conhecimento. É através deste processo que o indivíduo pode adquirir cada vez mais consciência de si mesmo e, consequentemente, realizar escolhas autênticas e em sintonia com o seu projeto de vida. O auto-conhecimento é o processo de identificar, reconhecer e alterar padrões de comportamento que estavam de alguma forma inconscientes ou encobertos. Em geral, a função do terapeuta é remover (junto com o cliente) os obstáculos que estejam barrando o desenvolvimento do indivíduo. Este processo implica identificar o modo como a pessoa age e reage ao ambiente a sua volta. Também é necessário reconhecer as partes rejeitadas de si-mesmo e como elas aparecem nas relações que se mantém com os outros e consigo mesmo. O auto-conhecimento é um processo contínuo e sempre presente de aprendizado sobre a vida e os relacionamentos: na terapia este processo é amplificado de modo a levar o indivíduo a uma vida mais autêntica, satisfatória e feliz.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com



Adolescentes e a mudança consciente do corpo

A insatisfação com o próprio corpo e imagem tem levado centenas de mulheres, e homens, a realizar cirurgias plásticas: sejam estéticas ou corretivas. Contudo, cerca de 10% das mulheres que procuram as cirurgias são adolescentes. A adolescência é uma fase compreendida aproximadamente entre os 13-18 anos, podendo estender-se ou encurtar de acordo com variáveis sociais e culturais. O importante é considerar que esta é uma fase de grande experimentação, tanto do mundo, quanto do próprio corpo e dos relacionamentos no qual ele está envolvido. Optar por uma cirurgia plástica nesta idade pode sofrer grande influência da mídia, dos padrões de beleza e até mesmo dos pais que projetam suas expectativas de realização nos filhos. O importante ao fazer uma escolha como esta é considerar todas as possibilidades quanto à modificação do próprio corpo, ter expectativas realistas tanto em relação ao resultado como em relação às conseqüências desta alteração uma vez que muitas pessoas acreditam que todos os seus problemas serão sanados uma vez que alterarem o que as incomoda no corpo, fato que não é real. Outra necessidade é reconhecer e trabalhar as lacunas emocionais do adolescente, suas expectativas, a auto-estima e auto-aceitação. Desta forma, aliando avaliações médicas e psicológicas é possível chegar a uma escolha consciente e realista sobre o assunto.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Conversando sobre a morte

Uma das questões fundamentais presentes na vida de qualquer pessoa diz respeito à morte. Todos vivenciamos a morte de alguma maneira: seja a morte de um animal querido, de um parente, dos pais, do cônjuge, etc. Ter espaço para trabalhar o luto e as perdas na terapia é fundamental na vivência e superação deste processo. Contudo, na terapia é trabalhada não apenas a morte de outrem, mas muito frequentemente a própria morte. A ironia é que grande parte dos projetos de vida e das preocupações estão pautadas na perspectiva do próprio fim e na necessidade de dar sentido à própria existência (de ter uma existência significativa). Ao fornecer espaço para se falar da própria morte, do medo ou da vontade de morrer, também há espaço para pensar a própria vida e colocá-la em perspectiva: a consciência e a vivência da própria morte podem enriquecer as escolhas realizadas e ajudar a colocar em prática projetos de vida. Portanto, por mais estranho ou desagradável que possa parecer, falar sobre a morte sem preconceitos ou receios pode ser importante quando se busca uma vida com mais intensidade e mais significado.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com


A crise da meia-idade

Todos passamos por fases críticas de transformação no decorrer da vida. As mais conhecidas são a infância, a adolescência e a vida adulta. Contudo, existem momentos críticos e fundamentais também no decorrer da vida adulta tal como o envelhecimento e a chamada crise da meia-idade. A crise da meia-idade é um modo de se referir a um período de transição entre a vida adulta e a perspectiva de envelhecimento. É em geral um momento marcado pela autonomia dos filhos, a mudança na configuração do casamento (mudanças na dinâmica do relacionamento bem como separação), a percepção do envelhecimento do corpo e também a percepção, mesmo sutil, da responsabilidade pelo resultado das escolhas realizadas nos anos anteriores. Todos estes fatores levam homens e mulheres a experimentar angústia e, muitas vezes, arrependimentos por decisões tomadas anteriormente. Há também uma reavaliação dos relacionamentos com pais, cônjuge e filhos e muitas vezes a necessidade também de mudar a vida profissional. A crise da meia-idade é, apesar de todos os estereótipos, um momento de mudança e uma preparação para a outra metade da vida só que de modo muito diferente da adolescência, pois deve envolver a consciência e o conhecimento adquiridos ao longo da experiência de vida. Procurar ajuda especializada neste momento pode ajudar a avaliar prioridades e a definir com mais clareza as próximas escolhas.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Escolher: a difícil arte de ganhar e perder

Compreender o modo como funcionamos é fundamental para uma vida com mais satisfação ou, ao menos, com escolhas mais conscientes que levam a menos ressentimento e arrependimento. Desenvolver a capacidade de ver a própria trajetória se transformando de acordo com as escolhas feitas é assumir responsabilidade pela própria vida. Uma das realidades da condição humana é o fato de que somos obrigados a escolher o tempo todo: a roupa que se vai vestir, o que comer, os amigos que se quer ter, o programa da tv, a profissão, o cônjuge, etc. Selecionar e decidir pode ser angustiante e até frustrante, mas são ações fundamentais e necessárias. Como dizia Sartre “O Homem está condenado a ser livre”. Condenado porque a única escolha que não pode fazer é escolher “não-escolher”. A condição humana é uma contínua abertura ao mundo e exige do homem a ação da escolha o tempo todo: seja de modo consciente ou não. Ninguém pode fugir do ato de decidir: e escolher é optar em ganhar de um lado e em perder todas as outras possibilidades e por conta disso é sempre uma questão fundamental da existência de cada um. Escolher envolve sempre a afirmação de quem sou e de quem quero ser, mas também o luto pela perda de quem eu poderia ter sido.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com



A crise da meia-idade

Todos passamos por fases críticas de transformação no decorrer da vida. As mais conhecidas são a infância, a adolescência e a vida adulta. Contudo, existem momentos críticos e fundamentais também no decorrer da vida adulta tal como o envelhecimento e a chamada crise da meia-idade. A crise da meia-idade é um modo de se referir a um período de transição entre a vida adulta e a perspectiva de envelhecimento. É em geral um momento marcado pela autonomia dos filhos, a mudança na configuração do casamento (mudanças na dinâmica do relacionamento bem como separação), a percepção do envelhecimento do corpo e também a percepção, mesmo sutil, da responsabilidade pelo resultado das escolhas realizadas nos anos anteriores. Todos estes fatores levam homens e mulheres a experimentar angústia e, muitas vezes, arrependimentos por decisões tomadas anteriormente. Há também uma reavaliação dos relacionamentos com pais, cônjuge e filhos e muitas vezes a necessidade também de mudar a vida profissional. A crise da meia-idade é, apesar de todos os estereótipos, um momento de mudança e uma preparação para a outra metade da vida só que de modo muito diferente da adolescência, pois deve envolver a consciência e o conhecimento adquiridos ao longo da experiência de vida. Procurar ajuda especializada neste momento pode ajudar a avaliar prioridades e a definir com mais clareza as próximas escolhas.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O jovem e a escolha profissional


Escolher uma profissão é um dos momentos críticos na vida de um indivíduo, pois necessariamente é um momento de conflito. Escolher um trabalho é parte integrante na determinação de quem uma pessoa é, Isto porque é no trabalho que se passa a maior parte do tempo e é dele que depende o sustento em nossa sociedade. Assim, escolher não é tarefa fácil. Há inúmeros fatores que determinam as escolhas pessoais, como por exemplo: o mercado de trabalho, a remuneração esperada, as habilidades necessárias para exercer a função, os custos da formação, as influências e expectativas da família, dos amigos e dos meios de comunicação. Assim, percebe-se que escolher é, ao mesmo tempo uma decisão individual e uma determinação social. Quanto mais o jovem compreende as determinações sociais em seu processo de escolha, mais autonomia tem para decidir. Além disso, o processo de decisão envolve uma determinação existencial: o jovem precisa definir quem é e quem deseja ser, como gostaria de ser no futuro. E escolher é perder: perder outras oportunidades e modos de ser. Por todos estes fatores a escolha da profissão é um momento difícil tanto quanto é necessário. Pesquisar sobre a futura profissão, ou mesmo experimentá-la de alguma forma, refletir sobre suas necessidades e desejos e sobre a pessoa que deseja ser são atitudes que podem ajudar a definir uma escolha.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com
Os jovens e o sexo

O tema da sexualidade está repleto de tabus. Isso porque a sexualidade é algo tão próprio do ser humano, e tão fundamental no cenário de sua existência, mas que continua até certo ponto desconhecida, interditada e, algumas vezes, repleta de determinações que não permitem uma conversa aberta e livre. A falta de um espaço adequado para que o jovem discuta a sexualidade é um dos grandes geradores de ansiedade nesta área. A maioria dos jovens obtém informações práticas conversando com seus iguais, em revistas e, muito raramente em aulas de educação sexual (que em geral prezam apenas pelo caráter anatômico e fisiológico da sexualidade). A comunicação com os pais na maioria das vezes é também restrita, ou por não haver abertura suficiente, ou porque os próprios pais também desconhecem muitas facetas da própria sexualidade e dos filhos levando a uma dificuldade em enfrentar a questão. A questão sexual da juventude está sempre no limiar entre o desejo e a repressão. E deste modo o sexo está sempre presente mas nunca claro. Ele está na televisão, nos jornais, revistas, na rua. Está nos relacionamentos e não se permite conversar sobre ele, sobre dúvidas e receios: é sempre preferível não dizer. O sexo é prazer, mas também é medo, proibição, erro e culpa. Além das questões do desejo, muitas dívidas atormentam os jovens tais como: contracepção, homossexualismo, masturbação, intimidade, etc. Proporcionar espaço para a discussão aberta e sem preconceitos deste tema é o primeiro passo para a auto-aceitação e também a aceitação do outro, uma vez que se cria um canal de comunicação legítimo.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Solidão

Muitas vezes no consultório ouvimos o cliente queixar-se ou apontar de forma desesperada que se sente só, sente solidão. Em nossa cultura a solidão é vista, de modo geral, como algo a ser evitado, um distúrbio, um problema, sinal de algo não vai bem. Embora o sentimento de solidão persistente possa compor certos quadros a percepção de ser só é fundamental para a existência de todos: ela é a possibilidade de avaliar as necessidades pessoais e existenciais de cada um. O ser humano é o único ser capaz de sentir solidão, pois esta requer também a consciência da própria existência e consequentemente o entendimento de que estamos sós no mundo. Experimentar momentos de solidão ressalta a importância e a responsabilidade que temos sobre nossas escolhas, pois tudo que escolhemos é claramente e sempre uma escolha pessoal. A solidão permite também perceber que precisamos dos outros e que, muitas vezes fazemos e nos sentimos parte de certos grupos de pessoas. A intimidade, seja através da amizade ou da relação amorosa e sexual é um dos modos pelos quais buscamos ser-com-o-outro. Entrar em contato com a própria solidão não é algo fácil, mas é inevitável. Portanto, ao confrontar a solidão inerente a condição humana podemos, ao contrário de nos desesperar, buscar alternativas de vida que condizam mais com a realidade existencial de cada um tendo em vista sempre uma vida com mais realização e satisfação.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com
Você sabe o que é Fobia Social?



Quando se está em situações de exposição social, tal como uma entrevista de emprego, convidar alguém para sair ou uma palestra em público é perfeitamente natural experimentar algum grau de ansiedade. Neste casos ela pode ajudar do desempenho e age inclusive como proteção emocional. A timidez também é uma característica comum e esperada em alguns casos de contato social. Contudo, quando a pessoa passa a evitar todo e qualquer tipo de contato e exposição social, de modo a prejudicar seu desempenho nas atividades diárias e causando sofrimento podemos falar em Transtorno de Ansiedade Social (TAS) ou como é maios conhecida Fobia Social. A Fobia Social é muito mais do que timidez: ela é uma ansiedade paralisante que prejudica atividades rotineiras do dia-a-dia e os relacionamentos e está presente em grau elevado e de modo persistente. Os sinais físicos que acompanham a ansiedade experimentada podem ser coração acelerado, rubor, sudorese excessiva, tremores, dificuldade em falar. Todos estes sinais podem ser observados pelas outras pessoas o que acaba gerando ainda mais desconforto. O tratamento inclui terapia e pode incluir acompanhamento psiquiátrico medicamentoso, pois a fobia social pode vir acompanhada de outros transtornos psiquiátricos como depressão, fobias específicas ou o abuso de álcool e drogas. Procurar ajuda especializada é o primeiro passo na identificação do problema e no processo de ajuda rumo a uma vida com mais qualidade.



Gabriela P. Daltro

Psicóloga CRP 06/86668

gabipdaltro@hotmail.com


Sexualidade da mulher: benefícios da terapia

A sexualidade é um modo de se relacionar consigo e com o próximo que tem como característica principal a busca de intimidade física, emocional ou ambas. A terapia voltada para as questões sexuais da mulher ajuda a melhorar a aceitacão próprio corpo, desenvolve maior confiança da mulher na sua capacidade de se sentir sensual, reduz inibições sexuais e ansiedades sexuais. O trabalho terapêutico segue no sentido de aliviar a culpa que muitas mulheres infligem a si mesmas tendo como base a formação psicossocial e cultural que, muitas vezes, provoca conflitos quanto ao papel do sexo e da sexualidade. A terapia ajuda colocar em perspectiva os padrões aprendidos e as regras criadas em relação ao tema. No espaço terapêutico a mulher encontra apoio e proteção para deixar vir à tona seus padrões, idéias, receios e gera uma oportunidade de discutir dúvidas abertamente. O trabalho terapêutico da sexualidade leva à melhora do bem-estar físico, psíquico e social pois proporciona espaço para a vivência livre das questões sexuais e de intimidade, dimensões tão fundamentais na vida de qualquer ser humano.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

sábado, 22 de agosto de 2009

Não espere: viva.

Por que é importante falar sobre expectativas? As expectativas são aquelas idéias e sentimentos sobre alguma situação em nossas vidas que conduzem, inevitavelmente, à procura por resultados. Ter expectativas está ligado ao ato de esperar-por/desejar-que algo específico aconteça, seja em relação ao trabalho, a vida familiar ou afetiva. A vida proporciona situações inusitadas e inesperadas o tempo todo e fornece também a oportunidade de exercemos nossos potenciais. Contudo, a realização pessoal fica muitas vezes prejudicada pelas expectativas. Ao esperar resultados específicos, deixamos de aproveitar a experiência do momento e, assim, a experiência da própria vida e do prazer que ela pode proporcionar. Isso porque as expectativas geram cobranças internas e externas e determinam nossas reações as situações que nos acontecem. Assim, muitas vezes podemos reagir negativamente a uma situação da vida não porque ela é ruim em-si e sim porque não aparece do modo como esperávamos, ou seja, não corresponde as nossas expectativas. Uma vida repleta de qualidade e bem-estar está intimamente ligada à capacidade do indivíduo de aproveitar o fluxo de suas experiências de modo rico e existencialmente descompromissado (não vamos confundir com a irresponsabilidade pelos resultados). Viver bem é estar aberto para a realidade da vida e não congelar suas potencialidades em nome de uma idéia pré-concebida do que é o certo/errado, o sucesso ou o fracasso. Toda experiência é válida se for vivida com intensidade, de modo que o ser humano procure por experiências que confirmem sua existência, ou seja, que lhe deem a sensação de estar realmente vivo, ou seja, existencialmente realizado.

Gabriela Pavani Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Raiva: como lidar com ela


Durante o curso de vida é natural que sintamos, de vez em quando, raiva. A raiva é uma sensação desconfortável e inquietante dirigida para o mundo exterior ou mesmo para si-mesmo. A raiva é, em geral, uma reação a uma situação ou característica do ambiente desagradável sendo a mais comum a reação pela sensação de impotência, injustiça, não aceitação de situações da vida e perdas, estando muitas vezes ligada ao ciúme e a inveja. A raiva ou mesmo a irritação constante pode ser um sintoma de complicações maiores, tais como a depressão. Portanto é preciso estar atento para compreender a raiva pois quando acompanhada de outros sentimentos atípicos em um indivíduo, pode sinalizar problemas mais graves. Para lidar com a raiva é preciso identificar duas conseqüências geradas por ela: a raiva construtiva e a raiva destrutiva. A raiva construtiva gera comportamentos bem adaptados ao ambiente, por exemplo pode motivar o indivíduo a demonstrar suas insatisfações, a colocar limites em seus relacionamentos, bem como motivá-lo a conquistar um posto de trabalho entre outros. Em geral a raiva construtiva trabalha em benefício do indivíduo funcionando como motivador para realização de seus potenciais. Contudo, o segundo tipo de raiva, a raiva destrutiva, provoca consequências devastadores no ambiente, comportamentos mal-adaptados como violência exacerbada contra outros e contra si-próprio (podendo ser um dos fatores motivadores do suicídio), destrói os relacionamentos do indivíduo através de comportamentos repletos de raiva mas sem finalidade adaptativa, causa explosões emocionais fora do contexto adequado, entre outros. Assim, ao lidar com a raiva é importante ter em mente a seguinte pergunta: Como posso utilizar esta raiva de modo a melhorar minha qualidade de vida e a das pessoas ao meu redor? Assim, ao sentir raiva é preciso parar um minuto e ser capaz de direcioná-la para o objetivo ao qual se visa. Vale lembrar que tudo é uma questão de treino e aprendizagem, portanto a história de vida de cada um determina o modo como se aprendeu a lidar com a raiva. Contudo através do conhecimento consciente pode-se escolher outros comportamentos e treiná-los para ser bem-sucedido no manejo da raiva e da própria vida.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com
Bebês com Insônia

A insônia entre bebês é um problema que afeta grande parte das famílias e que chega à clínica pediátrica em geral através das dificuldades que gera no sono dos familiares e, em especial, da mãe. O sono é uma função biológica importantíssima para os bebês, pois está associado ao seu bem-estar e crescimento saudável, contribuindo para sua saúde como um todo. A insônia pode ser percebida a partir do terceiro mês de vida, quando os primeiros ritmos de sono começam a se estabelecer. A insônia nos bebês é tida como a dificuldade em iniciar e manter o sono assim como a dificuldade em recomeçar a dormir. Entre as causas comportamentais associadas a essa dificuldade estão a higiene do sono materna (por exemplo, mães que ingerem muita cafeína próximo ao horário de dormir), exposição do bebê à estimulacão excessiva física e emocional próximo ao horário do sono, fatores estressantes físicos ou emocionais no ambiente do bebê e a causa mais comum (cerca de 30%) quando o sono está condicionado a algum fator ambiental específico que não pode ser repetido todas as vezes tais como adormecer no colo, ter música presente, passear de carro, entre outros fatores que podem marcar para a criança o momento em que o sono deveria ser iniciado. O tratamento nestes casos está focado nos pais ou responsáveis, de modo que estes aprendam a identificar a rotina do sono e provocar mudanças comportamentais que levem a melhorias. O apoio também é fornecido aos pais no sentido de diminuir sua ansiedade na separação do bebê, de modo que o sono e o adormecer sejam entendidos e vivenciados como atividades de prazer e bem0-estar tanto para pais quanto para filhos.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Bebês com Insônia

A insônia entre bebês é um problema que afeta grande parte das famílias e que chega à clínica pediátrica em geral através das dificuldades que gera no sono dos familiares e, em especial, da mãe. O sono é uma função biológica importantíssima para os bebês, pois está associado ao seu bem-estar e crescimento saudável, contribuindo para sua saúde como um todo. A insônia pode ser percebida a partir do terceiro mês de vida, quando os primeiros ritmos de sono começam a se estabelecer. A insônia nos bebês é tida como a dificuldade em iniciar e manter o sono assim como a dificuldade em recomeçar a dormir. Entre as causas comportamentais associadas a essa dificuldade estão a higiene do sono materna (por exemplo, mães que ingerem muita cafeína próximo ao horário de dormir), exposição do bebê à estimulacão excessiva física e emocional próximo ao horário do sono, fatores estressantes físicos ou emocionais no ambiente do bebê e a causa mais comum (cerca de 30%) quando o sono está condicionado a algum fator ambiental específico que não pode ser repetido todas as vezes tais como adormecer no colo, ter música presente, passear de carro, entre outros fatores que podem marcar para a criança o momento em que o sono deveria ser iniciado. O tratamento nestes casos está focado nos pais ou responsáveis, de modo que estes aprendam a identificar a rotina do sono e provocar mudanças comportamentais que levem a melhorias. O apoio também é fornecido aos pais no sentido de diminuir sua ansiedade na separação do bebê, de modo que o sono e o adormecer sejam entendidos e vivenciados como atividades de prazer e bem0-estar tanto para pais quanto para filhos.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Crianças: Consumo e Consumismo

Uma das grandes preocupações dos pais nos dias de hoje é a exigência dos filhos quando se trata das compras da família. Além dos adultos, as crianças e pré-adolescentes entre 8 e 14 anos estão expostos a publicidade exacerbada, o que pode levar não apenas a demandas de consumo mas ao consumismo em si. O consumo é uma atividade econômica voltada para a aquisição de bens e de riquezas e, de certo modo, é inevitável no sistema econômico em que vivemos: o capitalismo. Contudo, o consumismo é o ato de adquirir produtos e serviços de modo desenfreado e compulsivo, sem necessidade e consciência. O consumismo atinge grande parte da população, contudo é mais crítico em relação às crianças porque estas estão em fase de desenvolvimento e de aprendizado em relação à vida e seus valores, levando a uma deturpação das noções de cidadania e também à dificuldade em suportar frustrações e em adquirir prazer com outras atividades além do comprar. Muitos pais ainda estimulam este comportamento em uma tentativa de prover ao filho o que lhe faltou na infância ou como modo de expressar o amor e compensar a falta de tempo disponível para ele. Contudo, o consumismo pode levar a criança a entender que os objetos valem mais que valores humanos, ou melhor, que estes valores (assim como veiculados no anúncios publicitários) estão inevitavelmente vinculados a marcas e produtos. Algumas atividades simples executadas com os filhos podem ajudá-los a trabalhar suas necessidades físicas e emocionais sem recorrer às compras: por exemplo os pais podem desenvolver atividades que não exijam mídia ou TV como jogos de tabuleiros , cozinhar, atividades culturais; pode ainda evitar fornecer dinheiro para lanche escolar provendo um lanche mais nutritivo; evitar levar os pequenos às compras em megalojas de brinquedos pois eles tem dificuldade em controlar seus impulsos e em compreender porque não podem ter o que querem; assim é melhor conversar sobre o que vão comprar e porquê antes de sair de casa; assistir TV em família é uma boa opção para ensinar comportamentos de negociação, cooperação e comprometimento.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com
Avosidade: relações inter-gerações

Existe hoje um termo cunhado pela psicogerontologia (área da Psicologia voltada para o estudo do envelhecimento) para definir uma mudança importante na vida adulta: a avosidade. Assim como a maternidade, o fato de tornar-se avós traz ao indivíduo uma série de mudanças no modo como se relaciona com seus filhos, família e consigo mesmo. É o momento em que as relações intergeracionais se destacam, ou seja, o funcionamento da família se evidencia devido a nova vida que surge e a responsabilidade que ela representa como sendo o futuro da própria família e de seus sonhos e expectativas. Tornar-se avô ou avó é um passo além no crescimento como adulto: é o momento de reconhecer que os filhos formarão suas próprias famílias e que muitas vezes conduzirão suas vidas e a educação de seus filhos de modo diferente das expectativas dos avós. Muitos fatores determinam a configuração das relações entre avós, filhos e netos: a idade em que isso ocorre, a incidência de outros netos, a história de relacionamento com os filhos e seus parceiros, a história de relacionamento com o próprio parceiro, o entendimento do envelhecimento, determinações culturais, entre outros. O que é importante frisar é que tornar-se avô ou avó é, em qualquer idade e circunstância, uma mudança no lugar que se ocupa na família e em sua dinâmica e que esta mudança pode ser vivida como algo enriquecedor ou como perda do lugar antes ocupado. Compreender que mesmo durante a vida adulta ainda passaremos por muitas transformações, incluindo a avosidade, é o primeiro passo na construção de relações intergeracionais satisfatórias.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O que é realização?

Gostaria de conversar com você hoje sobre realização. A maior parte das pessoas passa a vida sem se perguntar por que se dedicam a esta ou aquela atividade. Esta é uma questão fundamental para uma vida satisfatória e mais feliz, pois ação sem motivação é uma ação sem sentido, voltada apenas ou em última instância para o acúmulo material. Mas, afinal, o que é sentir-se realizado?Em primeiro lugar, a realização é uma sensação: uma sensação boa, positiva, de estar exatamente onde deveria estar, fazendo o que gosta; mas mais do que isso uma sensação de prazer duradoura. A realização vem do contato direto com a realidade, com a capacidade de usufruir da abertura que é o ser humano. O humano é um ser aberto para o mundo, uma semente que pode transformar-se em infinitas possibilidades. Assim, realizar-se é sempre realizar-se aí no mundo afora. Assim, encontrar aquele ponto de equilíbrio entre a necessidade material e a necessidade existencial é a chave para a realização. Não que seja tarefa fácil. As pressões e exigências do mundo muitas vezes empurram o indivíduo para longe de sua motivação, enquanto preocupações secundárias com trabalho, sustento, família e moral prevalecem. Contudo, é muito comum que em meio às obrigações de uma vida cotidiana o lado mais humano de nós transpareça e exija manifestar-se. Encontrar uma atividade que dê prazer, mas também que tenha um sentido maior e, mais do que tudo, estar aberto para sentir a realidade da vida em suas angústias e prazeres é fundamental para que aquela sensação de aconchego e pertencimento se aproxime de nós.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Prevenção na adolescência: corpo e decisão


Dois pontos são de fundamental importância durante a adolescência: o corpo e suas mudanças e a capacidade de tomar as próprias decisões. A questão do corpo na adolescência é de suma importância quando se pensa em prevenção de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) porque é partir do corpo que o adolescente se percebe crescendo e mudando. As mudanças psicológicas típicas desta fase, tal como a necessidade de maior independência e da necessidade de sentir-se parte e aceito por um grupo, apóiam-se nas mudanças físicas. Nesta fase há a descoberta do corpo que se torna adulto e o interesse pela descoberta do próprio corpo e do corpo do outro é inevitável. Grande parte da adolescência é gasta em tornar o próprio corpo desejável, ou seja, é quando começamos a nos preocupar com os aspectos do nosso corpo sexualmente importante para os outros. Descobrir-se desejável equivale a sentir-se parte do mundo e a ter, no futuro que pela primeira vez se abre, a descoberta de não passar a vida sozinho ( no sentido de desfrutar da intimidade que só uma relação conjugal pode oferecer). Esta necessidade de, sobretudo, aceitar a si próprio em suas qualidades e defeitos e aceitar, com isso, que ás vezes o outro pode nos aceitar ou rejeitar é o centro da decisão de prevenir-se sexualmente. Agir impulsivamente está em total acordo com as mudanças da adolescência, mas ao mostrar e esclarecer ao adolescente suas próprias questões, ajudando-o a reconhecer-se damos a oportunidade da decisão consciente. É importante destacar que a necessidade de ser capaz de tomar as próprias decisões é fundamental nesta fase e que valorizar esta capacidade pode tornar o aolescente mais receptivo às informações e, também, mais capaz de decidir prevenir-se, pois este deve sentir que a decisão é dele e não algo que lhe foi imposto. Reconhecer a importância do corpo e da independência do adolescente em relação a ele é a chave para começar um trabalho preventivo, seja em maior escala ou mesmo com os próprios filhos.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Conhecendo a esquizofrenia

A atual novela da rede Globo, através de um personagem portador de esquizofrenia, tem divulgado os problemas que esta doença gera. A esquizofrenia é uma doença mental crônica, ou seja, pode ser controlada mas não tem cura, e que atinge cerca de 1% da população mundial. Em geral ela se manifesta na faixa dos 20 e 30 anos de idade, gerando enorme impacto social e na família. A esquizofrenia é caracterizada por alguns sintomas, que podem estar presentes, ausentes ou combinados. Dentre eles destacam-se os delírios e alucinações. O delírio é uma crença, em geral absurda, que não pode ser removida: a pessoa acredita, por exemplo, que existe um complô para lhe fazer mal e por mais que se prove o contrário ela não se mostra convencida. Os delírios podem ter vários temas, mas em geral são persecutórios. Já as alucinações caracterizam-se por percepções e sensações sem a presença do objeto: a pessoa vê, conversa, ouve e sente outras pessoas, objetos, alienígenas, animais falantes, etc que não são reais, mas que para ela são tão reais e palpáveis quanto o restante da realidade. Em fases agudas da doença a pessoa pode apresentar desorganização do pensamento, suas idéias ficam confusas, vocabulário pobre ou infantil; apresenta também isolamento e pode tornar-se agressiva por conta dos conteúdos de seu delírio. Identificar a esquizofrenia e seu subtipo é o primeiro passo para ajudar o paciente. Isso deve ser feito por um psiquiatra que vai informar as medidas a serem tomadas, tal como a medicação e a indicação de algum tipo de terapia (psicoterapia e muitas vezes o apoio da terapia ocupacional). Atualmente, se a medicação e terapia são seguidas corretamente, a maioria dos portadores da esquizofrenia podem viver de modo produtivo e com uma vida social bem-adaptada.

Gabriela P. Daltro

Psicóloga CRP 06/86668

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Identificando a depressão


As síndromes depressivas são hoje a primeira causa de incapacidade entre todos os problemas de saúde. Estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas em todo mundo apresentem ao menos um tipo depressão (neste caso a depressão maior unipolar). Contudo, para que um quadro seja considerado depressivo é necessário uma avaliação que leva em conta 22 itens e sua duração. O principal sintoma da depressão é o humor triste, ou seja, é a partir da tristeza que muitas pessoas procuram ajuda. Todavia, o quadro se caracteriza por uma série de sintomas relativos à autovalorização, à vontade e a motricidade. Os principais sintomas que podem ser facilmente identificados são: tristeza, choro fácil, apatia, indiferença, irritabilidade, sensação de falta de sentimento, angústia, desesperança, fadiga, alterações no apetite e no sono, diminuição da libido, pessimismo, sentimentos de culpa, idéias suicidas e, em alguns casos, delírios. As reações depressivas estão intimamente ligadas às perdas durante a vida: do local de moradia, do emprego, de um familiar ou de algo que seja puramente simbólico/existencial. Outras causas associadas estão ligadas a marcadores biológicos e químicos. A busca de tratamento nos quadros depressivos deve ser feita o mais rápido possível, de modo que não evolua para graus mais graves. O tratamento inclui, em geral, o uso de remédios associados à terapia, portanto a visita a um psiquiatra e psicólogo se faz necessária. Muitas vezes a pessoa não consegue procurar ajuda, por isso é importante que familiares e amigos estejam atentos e que, se for preciso, conduzam a pessoa à ajuda necessária.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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sábado, 13 de junho de 2009

Você precisa de ajuda?

Durante o curso de vida somos ajudados de diversas maneiras: nascemos dependentes e muitas vezes continuamos dependentes por um bom tempo de nossas vidas. Dependemos de sermos alimentados, cuidados, abraçados. Contudo, conforme se cresce o apoio recebido dos outros é transformado em auto-apoio, ou seja o objetivo é tornar-se autônomo, capaz de resolver suas próprias questões e dificuldades, capaz de cuidar de si-próprio. Todavia, em diversos momentos da vida continuamos a precisar de outros. Seja para estabelecer um relacionamento, seja para pedir ajuda na resolução de problemas e conflitos. Muitas vezes, no consultório, os terapeutas se defrontam com as dificuldades que o cliente apresenta em pedir ajuda: chegar ao consultório é uma dificuldade por si só. Isto porque o desenvolvimento do auto-apoio é confundido com não-dependência ou mesmo com a sensação de orgulho. O simples fato de requerer ajuda para cuidar da própria vida parece levar muitas pessoas a sentirem-se mais deprimidas ou envergonhadas. É importante frisar que procurar pela ajuda necessária quando se passa por grandes dificuldades no desenrolar da vida não é sinal de vergonha e sim de extrema maturidade. Isso porque demonstra que a pessoa é capaz de reconhecer seus limites e que está disposta a aprender e desenvolver modos melhores de gerenciar a si-mesma e à sua vida. Assim, jamais deixe de procurar ajuda especializada, pois através do auto-conhecimento você poderá ver mais claramente os acontecimentos de sua vida e aprender novas maneiras de apoiar a si mesmo e, quem sabe até, ajudar a outros.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Expectativas X Realidade

Aprender a reagir à realidade e não somente às próprias fantasias é o primeiro passo para lidar corretamente com as próprias expectativas. Todos nós temos expectativas em relação à vida: como deve ser a família ideal, o trabalho ideal, o filho ideal, o cônjuge ideal, etc. Afinal, quem não quer o melhor para si? Contudo, quando estas expectativas são exageradas e a pessoa não consegue aceitar a realidade como sendo diferente do que foi imaginado e idealizado podem surgir desapontamentos e desilusão. Através de um processo de auto-conhecimento é possível entender a importância destas fantasias na auto-realização do indivíduo e levá-lo a viver a vida de modo mais pleno e feliz, tendo expectativas realistas e aproveitando o que a vida e as pessoas podem oferecer do modo como elas são agora. Não é nada fácil recusar aquilo que se imaginou às vezes por toda uma vida, mas com certeza é muito mais satisfatório viver sem falsas ilusões. Afinal, o que é dar certo? “Dar certo” nem sempre é a idéia que se tem do que é dar certo. Muitas vezes a vida presenteia com situações inesperadas que podem trazer felicidade, simplesmente se você olhar para elas e não somente para o que você pensa delas.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Dificuldades de aprendizagem: dislexia


Existe uma série de fatores que podem dificultar a aprendizagem escolar: desde um ambiente inadequado, ansiedade, problemas emocionais, distúrbios neurológicos, problemas de visão e audição, entre outros fatores. Contudo, existem alguns comportamentos que evidenciam problemas mais sérios, como no caso da dislexia. A dislexia é um transtorno de aprendizagem que não tem cura, mas que pode ser amenizado através de tratamento adequado. O diagnóstico não pode ser feito com segurança na pré-escola, somente após a alfabetização. Dentre as características que podem sinalizar a dislexia estão: dificuldades de coordenação motora, dificuldades na leitura e escrita e na cópia, desatenção, dispersão, falta de interesse, desorganização, dificuldade com rimas, vocabulário, matemática e geometria, problemas como timidez excessiva e retraimento. È preciso ficar claro que a presença de um ou dois destes comportamentos não definem a criança como disléxica e que o diagnóstico deve ser feito por um especialista ou psicopedagogo. Além disso, a criança com quadro de dislexia costuma apresentar inteligência acima da média de modo que é necessário identificar suas habilidades e investir nelas. Junto com o aprendizado é preciso valorizar os pontos fortes e estimular a manutenção da auto-estima sem super proteger a criança. O importante quando se trata de dificuldades de aprendizagem é identificar com clareza o que se passa para que as qualidades de seu filho possam ser destacadas e a aprendizagem caminhar de modo satisfatório.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP06/86668
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sombra e luz: a consciência da morte

Mesmo nos consultórios de psicoterapia falar sobre morte e mortalidade é tabu. Muitos pacientes e até alguns terapeutas sentem-se ameaçados e envergonhados por terem pensamentos sobre a morte e sobre a validade da vida. A verdade é que a maioria de nós vez ou outra tem estes pensamentos e que a maioria de nós sente-se isolado, incompreendido e até considera-se doente por pensar e refletir sobre a morte. A morte está aí como um fato, assim como o está a existência. E existir nada mais é do estar aí no mundo deparado com sua condição humana, ou seja, deparado com a falta de sentido intrínseco do mundo e com a mortalidade de si mesmo e daqueles que se ama. Contudo, toda vez que existe este despertar da consciência o indivíduo tende a afastá-lo, seja ocupando-se em tarefas rotineiras, seja fazendo uma plástica para rejuvenescer ou atirando-se em atividades cheias de adrenalina. A verdade é que devemos aproveitar este despertar para, encarando a sombra da morte tão de perto, colocar a realidade e os sonhos em perspectiva de modo a melhorar esta existência que está aí hoje. Nunca é tarde demais ou se está velho demais para realizar as mudanças que se quer e poder sentir o enlevo de estar vivo: “O modo de valorizar a vida, a forma de sentir compaixão pelos outros, a maneira de amar tudo com a maior força é saber que estas experiências estão destinadas a serem perdidas”. Portanto, não procure se anestesiar da própria consciência, mas sim buscar aquelas experiências que te digam que você está realmente vivo, que ressoem não apenas em sua realidade física, mas também em seu interior. Desta forma, será mais tranquilo aproveitar o tempo que temos sob a luz.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Trabalho: da crise para a auto-realização

Na atualidade falar de trabalho e profissão suscita em muitos a palavra “crise”. A “crise mundial” e a dificuldade de encontrar certos postos de trabalho têm levado muitas pessoas a questionar sua atuação no mercado. Quando a crise gera a oportunidade de refletir sobre a própria carreira ela desloca uma angústia que é coletiva para transformar o problema do trabalho em uma questão também individual. Assim, é preciso pensar na crise, mas também na sua “crise particular”: é o momento ideal para questionar sua história em relação ao trabalho, a questão do planejamento financeiro (suas expectativas financeiras), a questão da aptidão (se você está satisfeito com a área de trabalho que tem desenvolvido). Afinal, a profissão ocupa lugar de destaque na vida, uma vez que é a partir dela que é gerado o sustento e, acima de tudo, é no trabalho que se passa a maior parte das horas diárias. Ter claro para si suas habilidades e o que espera de sua vida profissional é o primeiro passo para enfrentar de modo mais tranquilo a busca ou mudança de emprego. Grande parte das angústias humanas se dão no âmbito do trabalho, pois o ser humano se faz e se realiza através de suas ações no mundo e no modo como estas ações ressoam em seu interior. Desta forma, trabalhar não é meramente gerar sustento, é também gerar e criar a pessoa que você é a todo momento.
Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Você sabe o que é “adição à internet”?

Já há algum tempo ouvimos falar de “adição à internet” como um novo problema de comportamento. O uso indevido e exagerado do computador pode levar a uma série de problemas, desde desinteresse pela vida “real” até complicações do sono, da concentração e distúrbios alimentares e nas relações sociais e familiares. Para os pais e pessoas próximas é difícil reconhecer quando o uso da internet é exacerbado porque seu uso é valorizado e até incentivado por toda a sociedade. Assim, muitos jovens, em geral adolescentes, passam a trocar a realidade física pela realidade virtual. É importante compreender que a adição à internet é o sintoma, a expressão, de dificuldades geralmente geradas em outros âmbitos, tais como: timidez ou dificuldade para lidar com a demandas e exigências sociais e do grupo, necessidade de afirmar-se em um ambiente mais seguro, ou seja, o mundo virtual pode ser facilmente manipulado; necessidade de fugir de relações familiares problemáticas, necessidade de criar vínculos por si mesmo (ser independente através do mundo virtual), entre uma série de outras possibilidades. O uso da internet torna-se um problema quando: a pessoa opta por ficar na internet a comparecer a eventos sociais importantes, há queda no rendimento escolar, longos períodos em frente ao computador em qualquer horário inclusive durante a madrugada, a pessoa mostra-se irritada e até violenta quando não está utilizando o computador, mudanças de humor e comportamento, alterações na alimentação, a pessoa mostra-se ansiosa em excesso quando não há possibilidade de uso do computador, comprometimento do trabalho e vida profissional devido ao uso excessivo da internet. Estas são algumas amostras de que pode haver um problema. De qualquer modo, se há suspeita de uso indevido da rede é necessário que os pais ou pessoas próximas busquem a ajuda de um profissional qualificado, que pode ajudar a compreender e a alterar este quadro.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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sábado, 2 de maio de 2009


A difícil tarefa de dizer adeus

Finalizar relacionamentos e ser capaz de dizer adeus ao que passou é fundamental para estruturar melhor o futuro e manter o contato com a realidade da vida. Muitas vezes os relacionamentos terminam em morte, separação, divórcio, entre outros. Cada final traz a dor da perda e a necessidade de viver e superar o luto por um relacionamento que se foi. Contudo, relacionamentos que foram permeados de alegria, satisfação, compreensão permitem que aquele que fica sofra, mas também que supere a perda e seja capaz de viver, aproveitar e interessar-se pela vida. Por outro lado, relacionamentos marcados por brigas, ressentimentos, imcompreensão não permitem que aquele que fica olhe para o futuro de modo construtivo. Em geral, quando existem negócios inacabados com pessoas que se foram ou se separaram, a dificuldade em superar o fim é maior. Isso porque a pessoa não encontra um canal direto para expressar seus sentimentos que, de alguma forma, foram suprimidos. Muitas vezes este sentimento de algo inacabado vem acompanhando de culpa e ressentimento que acabam por manter a pessoa presa ao relacionamento mal resolvido. Através de um processo de auto-conhecimento, em que a pessoa é levada a reconhecer seus sentimentos e a encontrar uma maneira direta de expressá-los, é possível trabalhar os lutos e perdas de modo construtivo, levando o indivíduo a superar o passado e abrir as portas para relacionamentos futuros.
Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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domingo, 26 de abril de 2009

Ansiedade: reconhecendo o perigo


Um dos temas mais recorrentes em qualquer conversa hoje em dia é o da ansiedade. A ansiedade é tida como uma sensação natural de nossos tempos e também é constantemente utilizada para justificar ações (por exemplo, quem nunca ouviu alguém dizer que come demais porque é ansioso, ou não consegue dormir porque é ansioso demais). Em primeiro lugar, ninguém è mais ou menos ansioso e sim está ansioso em razão de algo. A ansiedade é uma sensação desconfortável que se caracteriza pelo medo constante de sofrer alguma ameaça. É a sensação de sentir-se constantemente ameaçado, sem saber exatamente pelo quê. Outra característica da ansiedade é que a pessoa sente-se ameaçada, sente desconforto e não consegue identificar sua causa e, portanto, não sabe o que fazer para enfrentar o perigo. É importante frisar que a ameaça ou o perigo não precisam ser físicos (como a ameaça de morte em um assalto por exemplo). A ameaça pode ser psicológica e existencial, tal como o medo de não ser querido, viver isolado, solitário ou abandonado. Pode estar relacionada também com situações específicas, tal como falar em público, em que a ameaça é parecer burro, inadequado, desinteressante. Assim, a ansiedade destrói, sobretudo, a auto-percepção e a consciência de si-próprio. Deste modo, quando em terapia, a pessoa é levada a identificar os problemas, questões e crenças e o nível de ansiedade a eles relacionados de modo que os conflitos sejam esclarecidos e trazidos à consciência. É importante reconhecer que a ansiedade indica sempre que há um problema a ser resolvido, um impasse, um conflito e que somente tomando consciência deste(s) conflito(s) é que se pode lidar adequadamente com as situações que desafiam a integridade de cada um.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Pais especiais para crianças especiais

Muito se fala da necessidade de acompanhamento terapêutico para crianças com necessidades especiais, sejam elas físicas ou mentais. Contudo, tão importante quanto dar apoio à criança é dar apoio aos pais. Ser pai e mãe já não é tarefa simples: quantas vezes se questionam se estão fazendo as coisas de modo correto, se estão educando corretamente e até se sabem mesmo dar banho na criança. Você pode imaginar a dificuldade quando se é pai/mãe de uma criança com necessidades especiais? Em primeiro lugar a ansiedade frente ao diagnóstico, a busca por alternativas (escolas com métodos diferentes, aparelhagem, próteses, etc.) ; em um segundo momento as dificuldades para educar a criança que aprende de modo diferente. Há ainda, em muitos casais, a dificuldade em prosseguir com o casamento e a intimidade, uma vez que a vida da família passa a girar em trono da criança que requer atenção quase todo o tempo; assim muitos casais além das dificuldades regulares tem de lidar com a separação. As pressões são muitas, tanto do mundo externo quanto do mundo interno: as exigências que a própria pessoa se coloca, a dificuldade em enxergar no filho(a) uma criança capaz, muitas vezes a incompreensão dos familiares e profissionais. Assim, buscar ajuda para a criança é fundamental, mas buscar apoio para estes pais é ainda mais importante pois são eles que vão lidar no dia-a-dia com o filho e precisam estar preparados para os desafios que isto representa.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Início das aulas e mudança de escola: como ajudar seu filho a se adaptar melhor

A escola está repleta de situações de mudança que podem ser estressantes para crianças e adolescentes. Quando a criança vai a escola pela primeira vez é importante ajudá-la a se adaptar a este novo meio-ambiente: evite sair correndo para evitar as lágrimas, fique com a criança o tempo que for necessário para que ela comece a explorar o ambiente por si só. É aconselhável, em alguns casos, que a mãe ou responsável passe o primeiro dia de aula junto à criança. Também é recomendado que se mantenha um objeto próximo à criança que seja de seu costume, tal como a chupeta, um cobertor, um ursinho, enfim algo que facilite a seu filho sentir-se mais seguro. No caso dos mais velhos a mudança de classe ou de escola demandam novos comportamentos e apresentam novos desafios ao jovem. É aconselhável que se conheça a rotina da nova escola, bem como a grade de horários e a quantidade e durações das aulas pois este é um modo de preparar seu filho para a nova rotina. Também é válido compartilhar com ele experiências semelhantes que já tenha passado na vida demonstrando que tais mudanças podem ser positivas. Um fator muito importante é a inserção no novo grupo de amigos: incentive-o a se enturmar no grupo e não o apresse, deixe que ele vá em seu próprio ritmo. Com a ajuda dos pais a ida para escola pode ser muito mais agradável e também proveitosa.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Sentir-se Vazio

Vamos falar hoje, de modo um pouco mais intenso, do vazio. Porque nos dias de hoje, assim como em qualquer época de grandes e turbulentas mudanças, o ser humano tende a sentir-se especialmente confuso e, muito além disto, também tende a sentir o peso da solidão e da sensação de vazio. Sentimentos estes proporcionados, em parte, por uma sociedade cada vez menos rígida em suas fórmulas do “como devo viver minha vida” e, por outro lado, também rígida em suas exclusões e no imperativo da competitividade. A sensação de vazio provém da incapacidade de fazer algo de eficaz a respeito da própria vida e do mundo em que vivemos. E assim, como a pessoa não participa de nenhuma finalidade ao sentir e ao querer, em breve ela pára e bloqueia tanto o sentir quanto o querer. A sensação de vazio pode estar presente mesmo quando a pessoa parece completamente saudável e até feliz. Pois parecer, mostrar ao mundo o que lhe é esperado, está muito distante do verdadeiro sentido de sentir-se parte integrante e importante de sua própria existência e do mundo lá fora. O grande medo da solidão em nossos tempos é o resultado da perda das perspectivas de realização no mundo. Afinal, o ser humano sente-se integrado quando é capaz de desenvolver suas potencialidades de modo que suas ações ressoem não apenas no mundo, mas também em si-mesmo. A solução não é cercar-se de afazeres (na tentativa de encobrir o vazio com tarefas compulsivas), mas sim encarar, de modo corajoso, a questão: “o que devo fazer de minha vida?”.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Obesidade e Terapia

Já é um dado disseminado que a obesidade é o resultado de energia excedente que leva à produção e acúmulo de gordura no organismo. Contudo, foi somente quando passou a ser relacionada com doença e mortalidade que a obesidade passou a ser preocupação dos profissionais da saúde. É certo dizer que a obesidade é hoje vista como uma patologia contemporânea e é um paradigma de nossa época. Para compreender a obesidade e entender o que o pode ser feito a seu respeito é importante ter claro que ela é um entrelaçamento de fatores genéticos e ambientais e que o significado que terá para cada sociedade e indivíduo é a combinação de fatores culturais e da história pessoal de cada um. Em nossa sociedade dirigido ao obeso um preconceito sem direito a resposta (pois o lema da obesidade associada à doença não deixa espaço para contestações) e assim, o sofrimento do indivíduo vai estendendo-se até ocupar todas as esferas de sua existência. Além das pressões relativas à saúde o obeso enfrenta uma realidade em que a busca por um corpo ideal (no caso um corpo magro) é o sinônimo de saúde, beleza e atratividade sexual, e não corresponder a este estereótipo é motivo de inferioridade e culpa. Transgredir as exigências culturais leva a pessoa com excesso de peso a um jogo entre prazer e arrependimento e a uma série de equívocos em relação à imagem corporal. Não corresponder à imagem ideal de si-mesmo é uma ameaça a auto-estima. Através de um processo psicoterapêutico a pessoa pode esclarecer as questões relativas ao seu corpo e como estas questões se articulam em sua existência, o que abre espaço para optar pelo modo como deseja responder de modo às demandas culturais e sociais.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Você sabe o que é TOC?

O TOC ou Transtorno Obsessivo-Compulsivo é uma doença psiquiátrica que atinge cerca de 2,5% da população e é responsável pela incapacitação de 10% de seus portadores. Quem possui TOC está o tempo todo ansioso com a possibilidade de que algo terrível, como uma catástrofe ou doença, possa ocorrer. O TOC é caracterizado por pensamentos aflitivos negativos (obsessão) que ocupam a mente de modo invasivo e persistente. Para aliviar-se do sofrimento destes pensamentos a pessoa recorre a diversos rituais e ações (compulsão) que visam evitar os perigos imaginados. Muitas vezes a pessoa reconhece que suas ações e idéias são exageradas, mas não consegue evitá-las. Por exemplo, ao imaginar que encostar a roupa no sofá da sala ou entrar em contato com certos produtos químicos pode provocar uma doença grave o indivíduo procura lavar as roupas repetidamente ou mesmo tomar banho e lavar as mãos de modo recorrente. Para ser considerada como TOC estas obsessões e compulsões devem provocar sofrimento, atrapalhar o dia-a-dia do indivíduo e serem realizadas ao menos uma hora por dia. Depois de realizado o diagnóstico o tratamento inclui tanto medicamentos quanto terapia, em geral a terapia cognitivo-comportamental que pode ser realizada individualmente ou em grupo. Os sintomas podem desaparecer completamente, diminuir consideravelmente ou provocar algumas recaídas. É importante, portanto, considerar sempre necessário a visita ao psiquiatra e também manter a terapia de modo espaçado. O TOC causa sofrimento não apenas à pessoa que o possui, mas também a toda a família prejudicando a qualidade de vida. Muitas vezes não há informação necessária para que o indivíduo se reconheça com TOC, por isso é importante compreender que certos comportamentos são sintomas e procurar ajuda especializada.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Ansiedade: reconhecendo o perigo


Um dos temas mais recorrentes em qualquer conversa hoje em dia é o da ansiedade. A ansiedade é tida como uma sensação natural de nossos tempos e também é constantemente utilizada para justificar ações (por exemplo, quem nunca ouviu alguém dizer que come demais porque é ansioso, ou não consegue dormir porque é ansioso demais). Em primeiro lugar, ninguém è mais ou menos ansioso e sim está ansioso em razão de algo. A ansiedade é uma sensação desconfortável que se caracteriza pelo medo constante de sofrer alguma ameaça. É a sensação de sentir-se constantemente ameaçado, sem saber exatamente pelo quê. Outra característica da ansiedade é que a pessoa sente-se ameaçada, sente desconforto e não consegue identificar sua causa e, portanto, não sabe o que fazer para enfrentar o perigo. É importante frisar que a ameaça ou o perigo não precisam ser físicos (como a ameaça de morte em um assalto por exemplo). A ameaça pode ser psicológica e existencial, tal como o medo de não ser querido, viver isolado, solitário ou abandonado. Pode estar relacionada também com situações específicas, tal como falar em público, em que a ameaça é parecer burro, inadequado, desinteressante. Assim, a ansiedade destrói, sobretudo, a auto-percepção e a consciência de si-próprio. Deste modo, quando em terapia, a pessoa é levada a identificar os problemas, questões e crenças e o nível de ansiedade a eles relacionados de modo que os conflitos sejam esclarecidos e trazidos à consciência. É importante reconhecer que a ansiedade indica sempre que há um problema a ser resolvido, um impasse, um conflito e que somente tomando consciência deste(s) conflito(s) é que se pode lidar adequadamente com as situações que desafiam a integridade de cada um.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Você sabe o que é Estresse?


O estresse é antes de tudo uma resposta do organismo a uma situação que está acima ou além da capacidade do indivíduo resolver. Assim, o estresse é um conjunto de sintomas difusos (variados) que tem como finalidade estimular a pessoa na resolução da situação geradora de estresse. O que acontece, contudo, é que o chamado “estresse positivo”, que estimula a resolução dos conflitos nem sempre é o suficiente para sanar o problema. Logo a situação de ansiedade, dores no corpo, agitação, palpitação, sudorese, dores de cabeça, alterações no ciclo do sono, entre outros sinais é prolongada e a pessoa fica exposta à situação geradora de estresse por muito tempo. Quanto mais tempo esta situação se prolonga, mais a qualidade de vida é prejudicada e, em casos extremos, o estresse prolongado pode levar à depressão, síndrome do burn-out e outros quadros clínicos mais complexos. Um dos principais modos de se lidar com o estresse é através da psicoterapia. Durante o processo de terapia, o indivíduo é levado a reconhecer as situações que estão gerando o quadro (pois muitas vezes o estresse tomou grande parte da vida da pessoa que a situação geradora do mesmo não é sequer reconhecida ou identificada pelo paciente). Um segundo passo é ajudar a pessoa a esclarecer as mudanças que poderia realizar em relação a situação e ajudá-la a se preparar para fazer isso de acordo com suas capacidades. A duração do tratamento varia de pessoa para pessoa, bem como a necessidade do uso de medicamentos que possam aliviar alguns sintomas de imediato (ansiolíticos, calmantes, etc.). De qualquer modo a terapia é extremamente necessária, pois sem a mudança no ambiente do indivíduo os sintomas tenderão a reaparecer. Assim, se você sente que não está conseguindo lidar com algumas situações de sua vida não esite em procurar um psicoterapeuta: ele está lá para ajudá-lo a ver o que o estresse não está permitindo neste momento.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Carnaval e as pequenas felicidades do dia-a-dia

Nesta semana começa o ano, de verdade esta vez. Afinal acabou o carnaval. E com ele acabou também o ritmo de festa que vem embalando desde o Natal. O fim do ano, bem como o começo do ano novo trazem sempre reflexões sobre a vida: retrospectivas, promessas e escolhas. Já o carnaval traz a todos, mesmo para aqueles que não apreciam pular na ruas, um sentido de euforia e alegria. Mas, e agora que o carnaval passou? Será que é possível manter um pouco da alegria do feriado no restante dos dias do ano? A verdade é que escolhemos o foco que damos aos acontecimentos da vida: podemos enxergar e aproveitar as pequenas felicidades do dia-a-dia ou estar sempre esperando o dia em que aproveitaremos a felicidade (se é que ela existe como tal). Parece-me, no decorrer de minha experiência clínica, que as pessoas mais felizes são aquelas que não colocam a felicidade na dependência de acontecimentos futuros e sim nas alegrias que se encontram no decorrer do dia tal como: sair com os amigos, aproveitar a companhia da família, ir a praia e curtir a natureza, ler um bom livro, dançar, caminhar ao pôr-do-sol, etc. Enfim, cada um sabe as atividades que lhe dão prazer, o importante é saber focar o prazer como parte integrante da vida, daí atingir metas e fazer escolhas será resultado de uma vida feliz.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Pare de fantasiar e viva o presente

Tenho observado em minha prática que é muito comum as pessoas viverem no passado ou no futuro, mas raramente no presente. Deste modo a vida se limita aos deveres, aos planos, aos “tenho que” fazer e ser assim, ou aquelas fantasias em que se coloca a própria felicidade dependente de acontecimentos futuros: “só serei feliz quando meus filhos estiverem felizes ou só serei feliz quando estiver estabelecido em minha profissão ou quando casar, etc”. Na verdade, quando se vive desta maneira pouco se vive. Os sentimentos mais profundos, as vontades genuínas e aquele sensação de segurança, aquela sensação de apoiar-se a si mesmo, ao invés de buscar apoio nos outros ou no mundo, desaparece. Quando se busca constantemente o apoio dos outros ao invés de valorizar o seu modo de fazer as coisas e suas metas, surge o medo. O medo constante que permeia suas fantasias do futuro: sim, porque o futuro só poder ser fantasiado. O medo de não atingir as expectativas que colocou sobre si-próprio. Enfim, represar suas emoções e vontades, projetando no futuro e nos outros o apoio que precisa para ser si-mesmo, causa somente insatisfação, medo e dor. Na maior parte das vezes o próprio corpo reage, ficando doente. A doença, neste caso, está aí para chamar sua atenção para as sensações e sentimentos, ou seja, para o presente, o aqui-e-agora, para a sensação de estar realmente vivo. Uma vez que se aprende a lidar com as fantasias e o medo a pessoa cresce. O crescimento pessoal se dá com uma base segura, ou seja, tendo você como o princípio e a finalidade de sua existência.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86669
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O que é Síndrome do Pânico?

A síndrome do pânico é um quadro clínico no qual a pessoa sofre repetidas crises agudas de ansiedade, sem que haja um estímulo disparador (ou seja, uma situação ou elemento) compatível com a magnitude da reação e da intensidade das crises. Em geral a crise dura de 20 a 30 minutos, podendo variar para mais ou menos tempo. È acompanhada de diversos sintomas físicos como sudorese, taquicardia, tremores, rigidez, palidez, vertigem, sensação de desmaio entre outros. A sensação é de completo terror. Além das crises, o maior complicador da qualidade de vida destas pessoas é o medo constante de ter outra crise, uma vez que estas são imprevisíveis. A origem da síndrome pode ser tanto biológica (desencadeada por disfunções da tiróide, efeito colateral de alguns medicamentos psiquiátricos ou como resultado do uso de certas drogas) quanto psicocomportamental (consequência de situações de estresse mal resolvidas ou outros fatores da história de cada indivíduo). Mas, afinal, o que pode ser feito para melhorar a vida das pessoas que sofrem com a síndrome do pânico? Em geral o uso de medicamentos pode ajudar no controle dos sintomas, melhorando o sofrimento. Também é recomendada a terapia, para que a pessoa aprenda a lidar com as situações geradoras de estresse e as situações que desencadearam e mantém suas crises. O melhor tratamento é aliar os medicamentos com a terapia, de forma a realizar uma abordagem completa do problema e dar à pessoa que sofre apoio para o enfrentamento da doença.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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O que é Psicoterapia?

Tenho observado com frequência que muitas pessoas não sabem ao certo o que é a psicoterapia nem o que fazem os psicólogos. Todas as semanas me vejo surpreendida por perguntas sobre este tema. Vou tentar, de modo simples e direto, esclarecer algumas questões sobre o assunto. A psicoterapia é o processo através do qual o paciente/cliente é levado a compreender e conhecer melhor seu modo de funcionar, ou seja, como vê e reage a diversas situações da vida, de modo que este conhecimento leve a mudanças em seu comportamento. Assim, podem ser empregadas técnicas diversas, tais como a conversa (verbal) ou outras práticas (não-verbal) a fim de levar a pessoa a reconhecer seus padrões de comportamento e o modo como podem ser mudados visando sempre uma existência mais satisfatória e feliz. A terapia pode acontecer individualmente, em grupo, com casais, em família ou em outros formatos. O importante é compreender que a psicoterapia leva em conta que se você vê mais claramente os acontecimentos de sua vida, ela tende a ir bem e sem sofrimentos desnecessários. Às vezes a vida é mais alegre e plena e às vezes se passa por algumas dificuldades. De modo geral, aumentando sua consciência sobre si mesmo e o modo como tem agido no mundo, é possível agir de modo mais responsável e autêntico na realização de mudanças que levem a minimizar a dor e aumentar as alegrias e satisfações. Espero ter esclarecido um pouco as dúvidas sobre este assunto. Caso tenham críticas, sugestões ou perguntas entrem em contato através do email acima. Abraço a todos e boa semana!

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Permita-se ser como você é

Nos dias de hoje, especialmente entre as mulheres, ouvimos preocupações com o peso e a estética. Até certo ponto estas preocupações são genuínas e saudáveis, pois motivam a busca da saúde e da integridade física. Todavia, em grande parte das vezes, o que se vê são mulheres perseguidas por um ideal de beleza inalcançável. Quantas queixas ouço de mulheres que, por não corresponderem aos anúncios da TV sentem-se deprimidas, desvalorizadas, sem atrativos sexuais, enfim, completamente envolvidas e perseguidas pela imagem de perfeição a qual deveriam corresponder. É importante realizar um trabalho de resgate da auto-estima e da valorização dos pontos fortes e únicos de cada pessoa; além de mostrar que não existe atividade física ou social que não possa ser realizada por qualquer um. Na maior parte das vezes o que estas pessoas não percebem é que o mundo lhe dá respostas positivas, mas somente quando há certa exposição. Por exemplo, uma pessoa acima do peso pode evitar sair para dançar por achar que não encontrará um par ou parecerá desajeitada na pista de dança. Assim, todas as chances de se divertir, relaxar, conhecer novas pessoas e até um par caem por terra, pois a própria pessoa sabota suas chances. Assim, quando você estiver evitando realizar alguma atividade por achar que é inadequada, pense bem se na verdade não está evitando outras coisas: ter de se relacionar com um parceiro, interagir com outras pessoas, enfim, ter de acabar com a desculpa de que seu corpo a impede, quando na verdade é o medo de experimentar que a está impedindo. Ouse, afinal é experimentando que se descobre os próprios potenciais e quanto mais isso ocorre melhor vai se sentir em relação a si mesma e a beleza que, afinal de contas, já está aí.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Sexualidade na terceira idade

A sexualidade é muito mais do que o sexo propriamente dito. Ela é o estímulo para a procura do contato, da intimidade e a da troca entre as pessoas. O entendimento e a expressão da sexualidade são marcadas pela história individual e a cultura de cada grupo. No geral,em nossa sociedade, a sexualidade é tida como exclusividade dos jovens; como um aumento ou descoberta da vitalidade, vindo a decair com o passar dos anos. Todavia, isto não é uma verdade. A sexualidade faz parte da constituição do humano e está presente dos oito aos oitenta (e também aos noventa, cem, etc...). Sentir atração sexual acontece em qualquer idade, embora na velhice algumas crenças e estados emocionais podem impedir ou dificultar a vivência plena da sexualidade. Entre estas crenças está a de que o corpo do idoso não é atraente ou demonstra vitalidade, o medo das reações de amigos e familiares, a educação recebida, rotina e monotonia do casal, entre outros fatores. Assim, os problemas que afligem os idosos neste campo não são tão diferentes dos que afligem os jovens também. O importante é o idoso e a sociedade em geral compreenderem que a sexualidade pode ser vivida e expressa plenamente em qualquer idade, afinal não deixamos de ser humanos porque envelhecemos.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP06/86668
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Ano novo: vida nova?

O início do ano está chegando e como sempre ouvimos falar das promessas de ano novo. Geralmente estas promessas envolvem sempre algum tipo de mudança ou determina objetivos claros a cumprir: parar de fumar, emagrecer, sair do aluguel, dedicar-se mais ao cônjuge, enfim, promessas não faltam. Mas, afinal, o que fazer para que no próximo ano você olhe para trás e veja que realizou muitos dos seus objetivos? O primeiro passo é traçar objetivos realistas, ou seja, que você sabe estarem dentro de suas possibilidades: não precisa emagrecer dez quilos em um mês por exemplo, por que não começar com três? Em um segundo momento anote todas suas metas em um papel, determine em quanto tempo planeja realizá-las e anote ao lado. Em seguida, comece a pensar na estratégia que levará você a alcançar o que prometeu a si mesmo. Anote tudo. Escrever ajuda a clarear e definir melhor o que pretende. Além disso, de tempos em tempos você pode voltar às suas anotações pra ver se está cumprindo o que prometeu e também para fazer alterações em suas metas. O ano-novo traz sempre inspiração e ânimo para as mudanças, mas não se esqueça que tudo depende de uma mudança de atitude: fazer diferente para obter resultados diferentes. Desejo a você mudanças positivas em sua vida e muitas realizações neste ano que se inicia!

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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O que é Arrependimento?

Com qualquer pessoa que se converse vamos sempre, em algum momento, nos deparar com o tema do arrependimento. Não há uma só pessoa que não se arrependa de um ato cometido. Geralmente, além do arrependimento, há também uma desagradável sensação de culpa que toma o foco de toda a situação ou lembrança. Um modo construtivo de lidar com o arrependimento e a culpa é compreender que estes sentimentos se baseiam na noção de responsabilidade. A responsabilidade pelas próprias atitudes; pela própria vida. Em um segundo momento, deve ser feita uma pergunta chave: Com posso viver hoje de modo a não acumular mais arrependimentos no futuro? Somente avaliando sua vida atual, suas escolhas, suas necessidades e desejos, realizando potencialidades, ou seja, encarando de frente e de modo autêntico a própria existência é que se pode viver de modo mais pleno e acumulando mais alegria e realizações. Pergunte a si próprio sobre sua vida e aja: faça diferente para obter resultados diferentes.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Envelhecimento ativo

Envelhecer é um processo contínuo, iniciado com o nascimento e evidenciado a partir da vida adulta. Não existe uma idade que determine o envelhecer de cada um; para cada pessoa o envelhecer se dá de modo distinto e único. Em nossa cultura, envelhecer está carregado de imagens e sentimentos negativos, geralmente ligados a decadência e degeneração das capacidades físicas e mentais. Na verdade, o envelhecimento é uma fase da vida como tantas outras (infância, adolescência, vida adulta), tendo a peculiaridade de trazer mudanças físicas e alteração no papel social. O envelhecer pode ser uma experiência rica e prazerosa. Pode-se descobrir novas atividades, viver mais tempo com a família, dar continuidade a vida profissional, seja atuando no mercado de trabalho, seja empregando suas habilidades em uma atividade voluntária. Enfim, nunca é tarde para aprender nem tão pouco para cultivar laços significativos. A terceira idade também é uma fase rica para cultivar relacionamentos amorosos e também sexuais. A vida pode ser mais colorida, em qualquer idade, depende apenas das tintas que você quer utilizar.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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O que é timidez?

A timidez é um conjunto de comportamentos que podem ocorrer em níveis mais altos ou mais baixos, em que a pessoa sente-se inibida para interagir em grupo ou em outras situações sociais. A timidez pode estar restrita a algumas situações como falar em público, divertir-se, fazer uma pergunta em sala de aula, abordar ágüem para namorar, etc; mas pode também ser uma característica mais ampla e que se manifeste em diversas situações impedindo a realização pessoal. È, na verdade, um comportamento em que a pessoa não exprime aquilo que sente ou pensa e tem dificuldades em interagir com o ambiente ou as pessoas de modo ativo. Muitas vezes a pessoa pode fantasiar desfechos desagradáveis para suas possíveis ações, pode sentir-se em conflito interno pois deseja manifestar-se ativamente e não consegue. De modo geral, a timidez não impede a realização pessoal, principalmente se estiver restrita a algumas situações específicas. Todavia, quando a timidez impede a realização dos objetivos pessoais em excesso e causa sofrimento à pessoa é hora de procurar ajuda especializada. Um psicoterapeuta pode ajudar a pessoa a identificar os elementos que lhe causam ansiedade e conflito e ajudar a lidar com eles. È através do auto-conhecimento, conhecer o seu modo de funcionar nas diferentes situações da vida, que se pode realizar alguma mudança no comportamento tanto externo, quanto interno (pensamentos, e sentimentos). È importante entender que a timidez pode ser melhorada e não precisa ser uma dificuldade carregada por toda a vida.

Gabriela P. Daltro
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Encerrar o passado para abrir o futuro

A vida é repleta de fases. Temos a fase da infância, adolescência, vida adulta, velhice que são etapas marcadas por grandes transformações no modo como percebemos e encaramos o mundo. Contudo, a vida nos presenteia com muitas outras etapas. Cada pessoa pensa e resume sua vida através de alguns marcos, em geral eventos que foram emocionalmente muito marcantes: o nascimento de um filho, o aniversário de quinze anos, a saída da escola, uma mudança de residência, a morte de um ente querido, entre outras situações que a vida nos apresenta. Quando estas situações se mantém na memória, mas são apenas isso, uma memória, tudo está em seu devido lugar: a experiência e lembrança enriquecem a vida presente. Acontece muitas vezes que certas situações nunca são fechadas, encerradas; a pessoa fica presa na memória, em um fragmento de lembrança e, na impossibilidade de mudar seu passado, sofre no presente. Estas situações inacabadas e mal resolvidas podem ser conscientes ( a pessoa sabe, reconhece a memória) ou podem ser não-conscientes (a pessoa é influenciada pela memória mas não se recorda dela). Grande parte dos desconfortos e sintomas que achamos serem aleatórios são em grande parte das vezes, resultado de situações inacabadas, de sentidos mal colocados ou da falta de sentido de uma situação emocionalmente importante vivida. Assim, através de um processo de auto-conhecimento, nem sempre rápido e muita vezes doloroso, pode-se acessar etapas, memórias ou situações que podem ser, inclusive, presentes e encontrar um significado para elas. Somente reencontrando ou descobrindo um sentido para situações inacabadas e incômodas é que podemos passar para novos acontecimentos da vida de maneira plena. Afinal, cada fase esta aí para ser vivida do modo mais rico possível: viver o passado como passado (mesmo) e o presente com todas suas nuances e surpresas.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Ciúmes em Excesso: controle para a insegurança

Todas as pessoas sentem, em algum momento, o ciúme. O ciúme pode ser gerado por muitas situações diferentes, mas em geral é tido como reação a ameaça de perda de algo ou alguém que se gosta muito. Assim, nas relações amorosas por exemplo, o ciumento procura certificar-se de que não perderá o parceiro ou parceira, de que este está seguro. Assim, o ciumento costuma fazer interrogatórios, mexer nas correspondências, no celular, evitar que o parceiro faça atividades sem ele por perto, entre outras ações cujo objetivo é aliviar o sentimento de perda e insegurança. Todavia, nada que o parceiro faça assegura o ciumento. O ciumento cria situações e imagina diversos modos pelos quais poderá ser traído ou abandonado; duvida do próprio parceiro e de suas palavras e ações. Por conta destes pensamentos fantasiosos, aquele que sente ciúme em excesso (ou seja, é excesso quando começa a atrapalhar a relação ao invés de ajudar) torna-se obsessivo: precisa a todo tempo “checar” o parceiro. A pessoa que sente muito ciúmes e que já está prejudicando sua vida íntima e pessoal precisa de um processo de auto-conhecimento para aprender a valorizar-se mais, dar importância a própria vida e, claro, ter uma vida própria. Olhar para fora, para o outro é também uma maneira de evitar lidar com suas próprias dificuldades e de assumir a responsabilidade sobre seus sentimentos: afinal, não é o parceiro que age (sempre) para provocar ciúmes e sim a pessoa ciumenta que sente ciúmes. Responsabilizar-se por seus sentimentos é o primeiro passo para uma mudança efetiva.

Gabriela P. Daltro
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O que é auto-estima

Muito ouvimos falar sobre a importância da auto-estima e da valorização de si-mesmo. Mas, afinal, o que de fato é valorizar-se? Valorizar é dar valor, importância, colocar em primeiro plano, apreciar. Quando você aprecia suas qualidades, descobre que é capaz de realizar e superar desafios, a auto-estima, o sentimento de gostar de si-próprio, cresce. Este sentimento aumenta a auto-cofiança, a sensação de não ser levando pelas circunstâncias e de fato ter poder sobre elas. Muitas vezes a auto-estima é diminuída pelas expectativas que se projeta sobre si-próprio: é o famoso “tenho que”, tenho que ser deste jeito, não devo ser assim e todos aqueles julgamentos cruéis que se faz consigo. Logo, o primeiro passo para começar a se apreciar é aceitar-se: aceitar-se do jeito que é, com suas qualidades e também aquilo que considera defeitos. Aceitar permite compreender, e compreender permite mudar sem julgar. O julgamento excessivo sobre si-próprio somente diminui a auto-confiança, levando a pessoa a viver em constante rigidez, medo e auto-tortura. Assim, procure reconhecer os momentos em que você promove sua auto-tortura e diga a si-mesmo que não importam estes julgamentos e sim que você tem capacidade e poder para mudar o que te desagrada, porque você gosta de si-mesmo e coloca suas necessidades, projetos, sentimentos e realização em primeiro plano.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Como você está criando sua vida?

Você deseja mudar algo em sua vida? Sim, a maior parte nós deseja provocar algum tipo de mudança. Mas, afinal, por onde começar a mudar? Geralmente tende-se a ter uma visão, seja por nossa história, seja porque queremos nos proteger ou evitar sofrimentos, a nos considerar vítimas das circunstâncias, da vida, do destino. A verdade é que não existe destino, o que existe são as escolhas diárias. São suas escolhas neste momento que definem em grande parte como sua vida é. Somente se pode gerar mudanças quando a fantasia de sermos crianças necessitadas é abandona, e nos reconhecemos como autores de nossa existência. Você é o responsável por o mundo reagir a você do modo como reage. Você também é responsável por seus sentimentos: a causa não está lá fora, pois é você que se deixa suscetível a sentir como se sente. Por exemplo, costumamos dizer que um fato ou outras pessoas nos irritaram, mas isto só acontece porque você “é irritável”. Você só se apaixona, por que está “apaixonável”. Assim, você percebe como participa de muito do que supostamente lhe acontece? Ter responsabilidade por sua vida e seus sentimentos é aprender a ter a habilidade de responder (responsa-habilidade) ao mundo de modo satisfatório. Logo, largue de vez esta criança mimada que te impede de crescer e ser quem você, de fato, é.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
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Limites: educar para crescer

Hoje em dia muito se fala sobre a necessidade de colocar limites no comportamento dos filhos, em especial das crianças e adolescentes. Mas você sabe, realmente, o que é colocar limite? A própria palavra “limite” já nos dá uma pista: é aquilo que delimita e, portanto, direciona. Mostra onde começa e onde termina um território, ou, como podemos entender, onde começa e termina uma ação, uma atitude, um comportamento. Assim, colocar limites é encontrar um modo de mostrar que toda ação tem um resultado, positivo ou negativo e que o resultado é responsabilidade da pessoa que agiu. Como fazer isso? Um modo eficaz é levar a criança a reconhecer que provocou algo positivo ou negativo: quando fizer algo que não é desejável encontrar um modo de corrigir o que provocou, ou de sentir-se valorizada quando faz algo positivo. Assim, se ela molhou o chão, derramou algo, ao invés de colocá-la de castigo no quarto pedir que limpe a sujeira que provocou. Se ela xinga ou magoa alguém, bate, etc. Colocá-la um tempo a sós e dizer que está lá para que pense no que fez, para pensar em como a outra pessoa se sentiu e que depois você irá conversar com ela sobre isto. Claro, mais fácil falar do que fazer, afinal não é assim que aprendemos, nossa educação foi baseada na punição e encontrar um outro jeito de fazer as coisas leva tempo, e treino. O importante é persistir, pois o comportamento também é aprendizagem e para aprender é necessário a repetição. Espero que possa tê-lo ajudado a entender e também a aplicar os limites, afinal é preciso educar para crescer, mas também crescer para poder educar.
Gabriela P. Daltro
Psicóloga
gabipdaltro@hotmail.com




Aposentar-se: Crise ou Oportunidade?


Hoje quero conversar com você sobre uma mudança de vida quase nunca comentada, mas pela qual praticamente todos nós passamos: a aposentadoria. Muitas vezes pensamos que a aposentadoria será uma grande libertação da necessidade do trabalho, da vida profissional. Porém, o que vemos é que aposentar-se provoca na maioria das pessoas uma mudança fundamental não só na rotina, mas também no modo como enxergam e experimentam o mundo.
A aposentadoria pode ser experimentada de diversos modos: de um modo mais produtivo em que a pessoa encontra tempo para dedicar-se a atividades prazerosas, passar mais tempo com a família, utilizar seu conhecimento em prol de outros. Por outro lado, e em geral, o anúncio de que a aposentadoria se aproxima provoca ansiedade, sentimentos de tristeza e até de solidão. Isto porque passamos a vida inteira desempenhando, na maior parte de nosso dia, um papel profissional ligado ao trabalho. A perda deste papel que desempenhamos pode ter o caráter do luto: a perda de uma parte de nós mesmos, de nossa noção de utilidade, de nossos amigos e até da relação conjugal que precisa ser remodelada para o novo tempo disponível dentro de casa. Acima de tudo, a pergunta que se anuncia nesta fase da vida é “O que fazer com meu tempo livre, ou melhor, o que fazer comigo agora?”. È uma fase propícia para considerar sua trajetória de vida até agora, bem como para definir novos planos para o futuro e para a vida. È importante ter em mente que, a medida que anos se aproximam, a vida não vai parando, pelo contrário, continua em constante mudança e abre, a cada momento, novas possibilidades de ser e de realização.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP06/86668