quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Escolher: a difícil arte de ganhar e perder

Compreender o modo como funcionamos é fundamental para uma vida com mais satisfação ou, ao menos, com escolhas mais conscientes que levam a menos ressentimento e arrependimento. Desenvolver a capacidade de ver a própria trajetória se transformando de acordo com as escolhas feitas é assumir responsabilidade pela própria vida. Uma das realidades da condição humana é o fato de que somos obrigados a escolher o tempo todo: a roupa que se vai vestir, o que comer, os amigos que se quer ter, o programa da tv, a profissão, o cônjuge, etc. Selecionar e decidir pode ser angustiante e até frustrante, mas são ações fundamentais e necessárias. Como dizia Sartre “O Homem está condenado a ser livre”. Condenado porque a única escolha que não pode fazer é escolher “não-escolher”. A condição humana é uma contínua abertura ao mundo e exige do homem a ação da escolha o tempo todo: seja de modo consciente ou não. Ninguém pode fugir do ato de decidir: e escolher é optar em ganhar de um lado e em perder todas as outras possibilidades e por conta disso é sempre uma questão fundamental da existência de cada um. Escolher envolve sempre a afirmação de quem sou e de quem quero ser, mas também o luto pela perda de quem eu poderia ter sido.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com



A crise da meia-idade

Todos passamos por fases críticas de transformação no decorrer da vida. As mais conhecidas são a infância, a adolescência e a vida adulta. Contudo, existem momentos críticos e fundamentais também no decorrer da vida adulta tal como o envelhecimento e a chamada crise da meia-idade. A crise da meia-idade é um modo de se referir a um período de transição entre a vida adulta e a perspectiva de envelhecimento. É em geral um momento marcado pela autonomia dos filhos, a mudança na configuração do casamento (mudanças na dinâmica do relacionamento bem como separação), a percepção do envelhecimento do corpo e também a percepção, mesmo sutil, da responsabilidade pelo resultado das escolhas realizadas nos anos anteriores. Todos estes fatores levam homens e mulheres a experimentar angústia e, muitas vezes, arrependimentos por decisões tomadas anteriormente. Há também uma reavaliação dos relacionamentos com pais, cônjuge e filhos e muitas vezes a necessidade também de mudar a vida profissional. A crise da meia-idade é, apesar de todos os estereótipos, um momento de mudança e uma preparação para a outra metade da vida só que de modo muito diferente da adolescência, pois deve envolver a consciência e o conhecimento adquiridos ao longo da experiência de vida. Procurar ajuda especializada neste momento pode ajudar a avaliar prioridades e a definir com mais clareza as próximas escolhas.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

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