quinta-feira, 29 de abril de 2010

Você quer mesmo mudar?


Um das principais etapas em qualquer processo de mudança é o reconhecimento da própria responsabilidade ao que acontece. Isto não quer dizer que se deva culpar o cliente por seu sofrimento, mas demonstrar sua participação e o modo como ele pode se responsabilizar por sua vida e seus acontecimentos é fundamental. Neste sentido há sempre uma relutância em mudar: aceitar que a mudança deve partir de si-próprio e não do mundo a sua volta. Alterando seu modo de agir a pessoa produzirá inevitavelmente mudanças em seu ambiente e vice-versa alimentando um círculo de mudanças que se retroalimentam. Uma outra etapa deste processo consiste em compreender e esclarecer os ganhos que a pessoa obtém em viver uma situação desgastante e de sofrimento. Muitas vezes estes ganhos não são conscientes: são ganhos psicológicos, existenciais. Por exemplo a pessoa pode sujeitar-se a uma situação constante de violência conjugal para evitar o medo e a sensação de impotência que surgem ao se lançar ao mundo sozinha. E desta forma milhares de pessoas podem escolher o descanso proporcionado pelos problemas cotidianos e podem inclusive escolher viver um inferno de vida. Quando o sofrimento traz mais prejuízos do que ganhos é hora de mudar e, se preciso for, pedir ajuda especializada.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Saúde é: movimentar-se pela vida


Um dos modos de avaliar a evolução e a saúde de uma pessoa é percebendo o quanto ela está livre para agir e pensar. O ser humano é constituído como uma abertura para o mundo, uma clareira onde as possibilidades de ser podem emergir, ou seja, o ser humano é como um espaço em aberto que pode ser preenchido com diversas possibilidades de realização na vida. Um dos trabalhos realizados em psicoterapia é a ampliação das possibilidades de escolha da pessoa. Quando a pessoa não está totalmente saudável tende a parar, estagnar em um só modo de reagir e agir sobre o mundo, produzindo sempre os mesmos resultados e gerando angústia. Ao trabalhar a ampliação da visão e da movimentação (verbal e corporal e existencial) a terapia procura ampliar a clareira para que o ser humano possa realizar-se como o potencial que já é. Tomar consciência a ampliar o contexto de atuação são modos de quebrar defesas (modos estagnados de ação) e liberar a mente e o corpo para a vida.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Início da vida sexual: questões para pais e filhos


Uma pergunta que é feita com freqüência, principalmente na adolescência, é sobre o momento ideal para iniciar a vida sexual. A grande maioria das meninas enfatiza a necessidade de carinho e afeto envolvidas na primeira relação sexual, enquanto os meninos tendem a focar a necessidade de uso do preservativo. O conceito de maturidade para início da vida sexual mudou através dos tempos. No passado a menina com 13 ou 14 anos já era considerada mulher e apta a gerar filhos, além da necessidade do casamento. Junto com estas prescrições a atenção ao desejo e ao prazer sexuais eram praticamente inexistentes e, de preferência, negados. Com a emancipação da mulher e o surgimento dos métodos anticoncepcionais, a sexualidade tanto das mulheres quanto dos homens mudou. Reproduzir e casar nem sempre está atrelado ao início da vida sexual. A questão dos adolescentes sobre maturidade não é fácil de ser respondida pois a maturidade é um processo individual. Falar de vida sexual com adolescentes envolve falar também das ansiedades dos pais, que muitas vezes não sabem como abordar a questão. A disponibilidade dos pais para discutir o tema, o cuidado com a auto-estima e ansiedade do adolescente, a escolha do local em que ocorrerá a primeira relação, o tipo do envolvimento com o parceiro escolhido e os métodos de prevenção da saúde sexual são temas que os pais precisam estar disponíveis para abordar. Nestes casos o melhor, tanto para adolescentes quanto para os pais, é iniciar a conversa sem ansiedade, medo ou culpa e regada de muito afeto e confiança.


Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com


Conhecendo a Psicoterapia Existencial


A condição humana nos impõe o contato com todo tipo de vivência possível – desde a mais tranqüila até a mais contraditória. E nesse processo, a angústia se faz presente, muitas vezes de forma insuportável. É preciso, então, compreender aquilo que se aloja em nossa vida sem pedir licença, fazendo-nos restringir nossas vivências. Isso é possível a partir da Psicoterapia Existencial, que se configura como uma proposta de atendimento psicológico que valoriza a vivência, a liberdade e a responsabilidade da pessoa, fazendo-a assumir uma postura ativa em seu processo psicoterápico, de forma que encontre novas formas de relação consigo, com os outros e com o mundo. Assim, a terapia orientada pela abordagem existencial considera, em sua visão de mundo, que o ser humano possui em primeiro lugar uma preocupação com o seu próprio Ser e com o modo como ele se dá no mundo: sua presença no mundo a partir de eventos não controlados; o fato de cada indivíduo estar lançado sozinho na existência; que cada pessoa é responsável por fabricar seus próprios significados e padrões de vida; o fato do ser humano ser a medida de todas as coisas; a abertura ao futuro por não temos um destino pré-fabricado e sermos condenados a experimentar a liberdade de escolha; e o fato irrefutável de que temos apenas uma vida, queremos permanecer vivos e somos impelidos a enfrentar o fato inevitável de nossa finitude. Assim, a abordagem leva a uma terapia focada nas preocupações que emergem da natureza da existência humana e no modo como elas são expressas na vida de cada indivíduo; é a busca da compreensão de sua história de vida, é o desvelamento de novos significados a acontecimentos passados e presentes, é a possibilidade de construção de caminhos mais amplos e abrangentes, plenos de sentido.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com