quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Solidão

Muitas vezes no consultório ouvimos o cliente queixar-se ou apontar de forma desesperada que se sente só, sente solidão. Em nossa cultura a solidão é vista, de modo geral, como algo a ser evitado, um distúrbio, um problema, sinal de algo não vai bem. Embora o sentimento de solidão persistente possa compor certos quadros a percepção de ser só é fundamental para a existência de todos: ela é a possibilidade de avaliar as necessidades pessoais e existenciais de cada um. O ser humano é o único ser capaz de sentir solidão, pois esta requer também a consciência da própria existência e consequentemente o entendimento de que estamos sós no mundo. Experimentar momentos de solidão ressalta a importância e a responsabilidade que temos sobre nossas escolhas, pois tudo que escolhemos é claramente e sempre uma escolha pessoal. A solidão permite também perceber que precisamos dos outros e que, muitas vezes fazemos e nos sentimos parte de certos grupos de pessoas. A intimidade, seja através da amizade ou da relação amorosa e sexual é um dos modos pelos quais buscamos ser-com-o-outro. Entrar em contato com a própria solidão não é algo fácil, mas é inevitável. Portanto, ao confrontar a solidão inerente a condição humana podemos, ao contrário de nos desesperar, buscar alternativas de vida que condizam mais com a realidade existencial de cada um tendo em vista sempre uma vida com mais realização e satisfação.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

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