quinta-feira, 30 de julho de 2009

Avosidade: relações inter-gerações

Existe hoje um termo cunhado pela psicogerontologia (área da Psicologia voltada para o estudo do envelhecimento) para definir uma mudança importante na vida adulta: a avosidade. Assim como a maternidade, o fato de tornar-se avós traz ao indivíduo uma série de mudanças no modo como se relaciona com seus filhos, família e consigo mesmo. É o momento em que as relações intergeracionais se destacam, ou seja, o funcionamento da família se evidencia devido a nova vida que surge e a responsabilidade que ela representa como sendo o futuro da própria família e de seus sonhos e expectativas. Tornar-se avô ou avó é um passo além no crescimento como adulto: é o momento de reconhecer que os filhos formarão suas próprias famílias e que muitas vezes conduzirão suas vidas e a educação de seus filhos de modo diferente das expectativas dos avós. Muitos fatores determinam a configuração das relações entre avós, filhos e netos: a idade em que isso ocorre, a incidência de outros netos, a história de relacionamento com os filhos e seus parceiros, a história de relacionamento com o próprio parceiro, o entendimento do envelhecimento, determinações culturais, entre outros. O que é importante frisar é que tornar-se avô ou avó é, em qualquer idade e circunstância, uma mudança no lugar que se ocupa na família e em sua dinâmica e que esta mudança pode ser vivida como algo enriquecedor ou como perda do lugar antes ocupado. Compreender que mesmo durante a vida adulta ainda passaremos por muitas transformações, incluindo a avosidade, é o primeiro passo na construção de relações intergeracionais satisfatórias.

Gabriela P. Daltro
Psicóloga CRP 06/86668
gabipdaltro@hotmail.com

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